Sou bissexual e não, não quero pegar todo mundo

por Bia Morra

Sempre ouvi dizer que ser gay ou lésbica era sair do armário quase diariamente, em inúmeras situações da vida.

O que eu não imaginava, no entanto, era que ser bissexual seria fazer isso em dobro. Aliás, o ser humano e essa necessidade de rótulos, né? Por que não podemos apenas aceitar a sexualidade como uma coisa fluida e indefinida? Pra que estipular limites, contornos numa coisa tão simples e ao mesmo tempo tão complexa quanto atração física e amor?
Qual é a diferença pra qualquer um – se não com quem vou me relacionar – se tenho atração por homens, mas só me apaixono por mulheres, ou se me apaixono por ambos, mas não tenho tesão em nenhum? Ou mesmo se amo e sinto atração pelos dois? A vida, o corpo e os sentimentos são meus. A pessoa a quem dedico eles também deveria ser da minha conta, apenas.

Mas claro que não é assim. Claro que as pessoas julgam, se intrometem e ainda se acham no direito de opinar como se soubessem mais do que você. ‘Mas você gosta de meninos também?’, ‘Você vai tentar ficar com todos os seus amigos, então?’ (Claro! Por que bissexualidade é sinônimo de ninfomania e predador sexual. Cuidado com a gente. Vamos te atacar enquanto você dorme… Me poupe), ‘Qual prefere?´, `Seu/sua namorado ou namorada não acha ruim?’

Na verdade, pra essa ultima pergunta tenho a resposta na ponta da língua. Sim. Muitas vezes, acha. Era de se imaginar que lésbicas, sabendo como é ruim sofrer preconceito, não discriminariam outras pessoas, não? Não. Conheço muitas (muitas mesmo) que não aceitam bissexuais e assumem de peito estufado o preconceito. Já inclusive tive uma namorada assim. Ela não podia nem sonhar que eu era bissexual, ou o que quer que seja.

Existe esse mito entre muitas lésbicas, de que as meninas bi não são confiáveis, só ficam por modinha, são promíscuas (?!) ou um milhão de outros absurdos que já fui obrigada a ouvir. Como se sofrer preconceito dos heteros já não fosse o suficiente. Como se uma sociedade toda empurrando goela abaixo o clássico “É só uma fase, então. Você vai acabar ficando com um homem”, já não fosse pé no saco demais.

Então pra todos que sentem necessidade de cuidar da vida alheia e cagar regra em cima dos outros, só digo uma coisa: Eu gosto de mulher, sim. E gosto de homem. E fico com os dois. E se reclamar, fico com os dois ao mesmo tempo. Por que se tem uma coisa que eu não sou nessa vida, é obrigada. (Nem eu, nem ninguém).

Bia Morra tem 21 anos e é (quase!) formada em Multimeios pela PUC-SP. Ela é fotógrafa amante de palavras, de Nutella e de bichos de estimação com nomes de comida (oubebida).
Bia Morra tem 21 anos e é (quase!) formada em Multimeios pela PUC-SP. Ela é fotógrafa amante de palavras, de Nutella e de bichos de estimação com nomes de comida (oubebida).
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