Gosto da liderança: I’m a boss ass bitch

por Letícia Fudissaku

No ano passado, a Lean In lançou uma campanha com diversas mulheres poderosíssimas (entre elas, minha deusa terrena, Beyoncé) que propunha o fim da utilização do termo “bossy”, cuja tradução mais aproximada seria “mandona”. Choveram críticas, sustentadas principalmente por dois argumentos:

1)    O vídeo contém depoimentos de mulheres como a Beyoncé dizendo que foram chamadas de mandonas na infância ou adolescência… Ok, mas agora você é a Beyoncé! Que mal isso te fez?!

2)    Se você realmente nasceu com espírito de liderança, não é uma ofensa boba como te chamarem de mandona que vai te abalar. Se abalou, você não nasceu pra ser líder.

Vamos com calma aí, rapaziada (claro, as críticas partiram de homens). Realmente, ser a Beyoncé é uma baita conquista. Mas antes da Beyoncé ser famosa, ela era uma jovem comum. Uma jovem como eu, com opiniões fortes, exigente consigo mesma e com os outros. O problema é que muitas vezes, quando uma garota é assim, ela sofre ouvindo comentários do tipo: “Nossa, você é chata, hein!”, “Que língua afiada!”, ou o pior: “Você parece a minha mãe falando”.

Por quê? Porque a mãe é a única autoridade feminina legítima. Mulher só pode falar mais alto pra dar bronca nos filhos, manda-los arrumar o quarto. Quando alguém te chama de “mãe” sarcasticamente, é isso que ele quer dizer. É uma forma sutil de desmoralizar completamente uma mulher. “Você só manda em casa”. E olhe lá.

Discorda? Então pergunte a pelo menos cinco pessoas (de ambos os sexos): “Você prefere ter chefe homem ou mulher?”. A quem responder “homem”, pergunte porquê. A resposta mais comum é a de que mulheres são muito instáveis, emotivas, difíceis. Mesmo que a pessoa nunca tenha sido liderada por uma. De onde vem essa certeza tão absoluta na nossa fragilidade emocional?

E se deixar o assunto rolar, sempre aparecem outras certeza absolutas: A maioria das mulheres não gosta de liderar. Mas é claro! Quem vai se colocar em posição de liderança – situação de total exposição ao julgamento alheio, diga-se de passagem – quando sabe da rejeição instantânea que irá sofrer, antes mesmo de abrir a boca, só por ser mulher? Quem vai se sujeitar a isso? Simples. Quem nasceu pra isso.

Quando eu era pequena (a caçula, diga-se de passagem), era obediente com meus pais, mas sabia muito bem quando meus irmãos me pediam favores por pura folga. Quando estava de bom humor, até fazia a gentileza; caso contrário, dizia o que virou uma das minhas catchphrases na família: Não sou sua escrava. Pros irmãos que tinham o dobro do meu tamanho.

Cresci, e continuo não sendo escrava de ninguém. Ao longo da faculdade, agarrei várias oportunidades de coordenar, gerenciar, dirigir os trabalhos em grupo. É uma coisa que vem naturalmente, como um reflexo. Era ouvir qualquer professor falando “vamos precisar de alguém pra liderar…”, eu já gritava em pensamento “QUERO!”.

Mas esse grito sempre saía? Na verdade, não. Meu gênio forte veio acompanhado de uma insegurança muito grande, fruto de uma auto-estima toda ferrada que aprendi a reconstruir, pedacinho a pedacinho. Por ser geniosa, por ser difícil. Tentaram me convencer de que não era pra eu ser assim – ou melhor, de que mulheres não devem ser assim.

Essa “fragilidade” que todos mencionam em chefes mulheres, muitas vezes, é mais um mecanismo de defesa. Porque uma mulher em posição de autoridade se sente pressionada em todas as direções (por seus superiores e subordinados). Ela tem que provar seu valor a todo momento. Provar que merece liderar. E que saber? Mesmo que isso não seja certo, é exatamente o que ela vai fazer. Porque ela sabe que esse, sim, é o lugar dela.

Querida leitora: se a sua natureza é ser “mandona”, seja! Você não nasceu pra ser qualquer outra coisa – e você definitivamente não é menos mulher por isso. Seja forte, seja ambiciosa e não deixe alfinetadas de gente mesquinha atingirem você. Nos vemos no topo!

(PS: Aproveita e dá um like no vídeo da campanha, à la Boticário!)

Letícia Fudissaku Diretora do Rebobinando (o TCC mais legal da cidade), cursando o quarto ano de Rádio e TV. Ama escrever mais que tudo e quer ser uma roteirista/diretora bem sucedida daqui alguns anos.
Letícia Fudissaku
Diretora do Rebobinando (o TCC mais legal da cidade), cursando o quarto ano de Rádio e TV. Ama escrever mais que tudo e quer ser uma roteirista/diretora bem sucedida daqui alguns anos.
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