De olho no seu corpo: o outro lado da pílula anticoncepcional

por Daniela Bertoncini

Sempre achei que a pílula anticoncepcional é um marco, não só na história da medicina, como também na luta pela liberdade da mulher.  Imagine só, um comprimido que, se tomado da maneira correta e pontual, faz com que a mulher possa ter mais controle sobre o seu ciclo menstrual e até mesmo decidir o momento em que irá engravidar. A pílula anticoncepcional, criada em 1950 e comercializada em 1960, garantiu à mulher o que já era seu por direito: a certeza sobre o seu próprio corpo e a escolha de ser ou não mãe.

Comecei a tomar a pílula com 18 anos, logo em que comecei a namorar. Fui à ginecologista, pedi auxilio e ela me indicou o medicamento correto. O problema acontece quando a falta de informação e a pressa tomam conta  da nossa cabeça.

Apesar de todos os benefícios, – evitar a gravidez, controle da menstruação, diminuição de espinhas, minimização da TPM e de cólicas, entre outros – a pílula é um remédio e, como tal, pode causar efeitos colaterais e deve ser obtido com a indicação de profissionais. A velha história de “odeio camisinha, quero transar com o meu namorado logo e estou sem tempo de ir a um ginecologista. Vou pesquisar e comprar uma pílula que pareça boa” pode ser fatal, isso porque esse método contraceptivo aumenta o risco de trombose, doenças  cardíacas, derrames e até mesmo acidentes vasculares cerebrais (AVC’s). Além disso, é sempre válido lembrar que a pílula não protege contra doenças sexualmente transmissíveis (DST’s), como sífilis, HPV, herpes genital e até mesmo AIDS.

No ano passado, acompanhei bem de perto uma experiência horrível. Uma colega de sala da faculdade sumiu por alguns dias. Algumas semanas depois, descobri que ela estava internada, na UTI, devido a uma trombose cerebral que lhe foi causada graças à pílula anticoncepcional. A jovem, que tem 21 anos, quase morreu. Hoje ela está bem e tenta alertar mais garotas sobre o uso desse medicamento.

Depois dessa experiência, eu mesma voltei a minha médica e expliquei que eu sofro com enxaquecas e há casos de trombose na minha família. A doutora logo mudou o medicamento para que eu não tivesse a ingrata surpresa que a minha amiga teve.

Por isso, aqui fica o meu alerta: você é dona do seu corpo e ele é a sua casa. Vá sempre ao médico, cuide da sua saúde para que você esteja sempre forte e disposta. Esclareça as suas dúvidas, exponha o histórico de sua família ao ginecologista e, junto com ele, defina o método anticontraceptivo que mais se ajusta ao se corpo.

Daniela Bertoncini
Daniela Bertoncini. Quase jornalista, 22 anos e um mundo de sonhos nas costas.
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