Eu, tu, elas entrevistam: Coletivo Marcha das Vadias de São Paulo

“Mulher de respeito não anda com vários homens”. “Mulher comportada não usa saia curta”. “Se foi estuprada é porque estava pedindo”. Quantas vezes ouvimos essas frases?

Foto: Laís Glaeser (insta: @laisglaeser)
Foto: Laís Glaeser (insta: @laisglaeser)

Foi pensando nisso que o Coletivo Marcha das Vadias de São Paulo começou sua luta, em 2011. “O termo ‘vadia’ foi apropriado pelo movimento visando ressignificá-lo. (..) A Marcha das Vadias de São Paulo luta para derrubar esse pensamento que tolhe a liberdade das mulheres”, explica a carta de apresentação do Coletivo. Todo ano, o grupo organiza a Marcha das Vadias, buscando chamar atenção para as diversas violências contra a mulher. Esse ano, a quinta edição da Marcha ocupou as ruas da cidade no dia 30 de maio com o tema “Aborto Ilegal = Feminicídio de Estado”. Confira a nossa entrevista com o Coletivo!

Eu, tu, elas: Como a Marcha foi trazida para o Brasil?
Coletivo da Marcha das Vadias de São Paulo: A marcha não foi “trazida”. Na verdade, um grupo de mulheres tomou conhecimento da Marcha que havia ocorrido em Toronto, percebeu que a mesma forma de violência ocorria em suas vidas em SP e assim se juntou para fazer a MdV em SP em 2011. É um movimento regionalmente autônomo e orgânico, em 2011 essa mesma lógica de organização, sem contatos em cada cidade, ocorreu em ao menos mais duas capitais, uma delas Brasília. As pessoas que fizeram a primeira marcha em 2011 não fazem parte da organização. O coletivo de organização foi formado em 2012.

O impacto na mídia, como é? E as repercussões negativas?
A cobertura da mídia sempre esteve presente e sempre, em maior ou menor medida, o esteriótipo de mulheres dentro do padrão de beleza sem roupa [é explorado]. Ao longo dos anos, começamos em SP a fazer uma trabalho pró-ativo com a imprensa, o que melhorou a qualidade de cobertura, principalmente em 2013 e 2014, quando os temas dos anos foram alvo de reportagens e as galerias de fotos foram mais verossímeis em relação ao ato real que estava na rua.

Os números de participantes divulgados pela PM são plausíveis? Qual é a relação de você com a polícia?
Não temos relação com a polícia. Tivemos um caso de tumulto em 2014 que acabou fazendo a polícia intervir depois do ato ter acabado. Pode encontrar o histórico na nossa página do Facebook. Em 2015, calculamos 1500 participantes, com base em imagens aéreas que nós mesmas produzimos com câmeras.


Fora da Marcha, vocês têm atividades ao longo do ano?
Sim, você pode identificar se estudar as postagens da nossa página no Facebook. Aulas abertas e mesas de debate, principalmente, além de nos dedicarmos a atender estudantes e professores que querem falar sobre feminismo em suas escolas.


Como vocês se sustentam, financeiramente?

Venda de camisetas, botons e realizamos uma festa por ano.


Como vocês se sentem em relação a homens participando da Marcha?

Todas as atividades da Marcha das Vadias são abertas para os homens participarem, no ato, a orientação é para que as faixas e cartazes sejam segurados e carregados apenas por mulheres. A coletiva é composta exclusivamente por mulheres porque acreditamos que este espaço é essencial para o empoderamento e transformação das relações entre as mulheres.

Como vocês classificam a importância da Marcha para as crianças e adolescentes (mulheres) que ouvem falar dela? Existe a preocupação de proteger as manifestantes menores de idade?
Classificamos que a MDV é uma importante porta de entrada e de primeiro contato de jovens com o feminismo, por isso nosso esforço é de fazer um acolhimento eficaz, com empatia e atendendo às necessidades de informação dessas jovens.

(entrevista realizada por email. Não editamos nenhuma resposta)

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