Meu sangue e meu corpo: vamos falar de menstruação

por Claudia Ratti

Tempos atrás, entre uma aula e outra, fui ao banheiro com o absorvente escondido no bolso do casaco. Antes de voltar para a sala, conferi se minha calça estava ok. Estava inchada e com cólica, mas ninguém podia perceber que estava “naqueles dias”.

Na mesma tarde, um anúncio de absorvente no youtube me mostrava um líquido azul e uma voz me prometia segurança, proteção e garantia que meu fluxo ficaria bem longe da pele.

Foi aí que eu parei e refleti: tem alguma coisa errada nisso tudo. Por que quando eu estou menstruada eu falo que estou “naqueles dias”? Por que eu escondi meu absorvente e ninguém podia saber o que estava acontecendo com meu corpo? Por que meu sangue é mostrado como azul? Do que o absorvente pretende me proteger? Por que meu fluxo precisa ficar longe da minha pele? Afinal, por que ninguém fala sobre menstruação?

Simples. Porque a menstruação ainda é um tabu que está totalmente ligado ao nojo à vagina, ao útero e ao corpo feminino. Ou seja, o tabu da menstruação está vinculado à misoginia. Todos esses tabus distanciam nós mulheres de nossos próprios processos, causam distanciamento e certo estranhamento em relação ao corpo. E isso é péssimo. Nós percebemos que alguma coisa está acontecendo com o nosso organismo, mas não sabemos o que está causando essas mudanças.

Acho que quebrar esse distanciamento e reconhecer o próprio corpo são os primeiros passos para questionar esse tabu e desmistificar a menstruação. Entender o que acontece com meu corpo foi extremamente importante para que eu pudesse compreender as mudanças que a menstruação causa em mim. O contato com meu próprio sangue, por exemplo, foi uma forma de me conectar com meu ciclo. Consegui perceber que em determinados dias meu corpo precisa de descanso e mais energia (estava explicada a fome absurda).

Falar sobre o tema foi essencial para combater o tabu e entender que eu não preciso esconder ou ter vergonha do meu sangue, do meu corpo e das mudanças que ele passa. E o mais importante de tudo isso: aprendi a não ter nojo do meu sanguinho. Ao contrário do que aquela propaganda me mostrava, meu sangue é limpo e puro.

Com o tempo, percebi que menstruação é algo natural e compreendi a importância de respeitar meus limites nesse período, ou seja, se meu corpo precisa descansar eu não vou exigir muito dele naquele dia. É um momento de renovação, onde eu e meu corpo trabalhamos em sintonia: estamos nos transformando e recarregando nossas energias.

Claudia Ratti, 19 anos, virginiana, estudante de jornalismo. Ama livrarias, listas e abraços.
Claudia Ratti, 19 anos, virginiana, estudante de jornalismo. Ama livrarias, listas e abraços.
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