Infecção urinária (ou A cada gota de xixi, uma cuspida de fogo)

por isabella Faria

Parece que não aprendo. Enquanto estou escrevendo esse texto, olho para minha garrafinha de água, vazia, sobre minha mesa do trabalho. Nunca fui de beber muita água e há alguns anos descobri que estava com pedras nos rins. Além de uma bronca imensa da minha mãe ganhei alguns desconfortos por uns bons meses.

Eis que, após minha primeira transa, as coisas pioraram. Como minha psicóloga costuma dizer: “abriu, estragou”.
Sempre alguns dias depois do sexo, eu tinha uma imensa vontade de fazer xixi a toda hora e uma ardência imaginável, semelhante à lava escorrendo pela uretra (não, não é mimimi).

Normalmente, eu aguentava esses bons dias de desconforto e seguia minha vida, até que a infecção sumia. Eu não bebia água e nem tentava tratamentos com Cranberry, nem nada do tipo. Eu apliquei essa nada saudável estratégia até fevereiro desse ano, quando ela me levou a uma internação. Lá estava eu com mais uma das crises que chamo de “capeta na bexiga”. Porém, dessa vez, eu sentia que algo estava diferente. Eu não conseguia andar, meu útero doía e a ardência era constante, mesmo quando eu não ia ao banheiro.

Resolvi ir até o pronto-socorro e, durante uma semana, foram 4 idas ao hospital. Antes de ir pela quarta vez, tive uma crise muito forte logo que acordei. Comecei a tremer, toda a região pélvica ardia e eu fiquei em pânico. Meus pais me levaram para o hospital e fiquei internada o Carnaval inteiro. Descobri que a infecção havia subido pros rins e causado Nefrite (um bug imenso no meu sistema urinário), o que me deixou tomando antibióticos fortíssimos na veia por 4 dias. Saí com uma recomendação que nunca havia seguido antes: beba muita, mas muita, água.

Isso me fez pensar. A bactéria presente na minha urina, por exemplo, é originada de fezes, e provavelmente eu a peguei na hora de me limpar após ir ao banheiro. Mas por que médicos e médicas não dão orientações sobre como o sexo anal ou a penetração com dedos contaminados pode causar, e bem rápido, infecção urinária? Porque a sexualidade feminina é reprimida até no meio da saúde, quando me abri com os médicos sobre sexo, eles mesmos se sentiram envergonhados ou desconfortáveis. Penso que a naturalidade com que o assunto deve ser tratado ainda poderia evitar muitos desconfortos para mulheres. Eis que, por algumas semanas, eu passei a beber uma garrafa de 2 litros de água antes de dormir e enchia minha garrafinha 2 vezes durante o trabalho. Mas velhos hábitos nunca morrem e minha determinação começou a sumir.

Entretanto, há três semanas, eu senti a ardência novamente. Entrei em pânico e bebi 5 litros de água de uma vez, para tentar expelir a bactéria. Deu certo, não usei antibióticos e nem fiquei internada. Foi a água, substantivo feminino, que me salvou.

Pensando bem, esse papo me deu sede, vou buscar um copinho, vai.

Isabella Faria, 19 anos e uma proto-jornalista interessada em todos os mistérios (e memes) que a internet tem a oferecer.
Isabella Faria,
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