Eu xaveco os caras. Tudo certo!

por Karolina Bergamo

Quando eu tinha 13 anos, uma das minhas bandas favoritas se chamava Bulimia (banda de punk rock feminista de umas minas lá de Brasília). Ela está na lista de bandas que eu não faço a menor ideia de como conheci, mas que contribuíram muito para a minha formação. Aos treze, eu estava naquela fase da vida em que começamos a abrir os trabalhos no campo amoroso. E logo nesse começo, já senti dificuldade, porque eu nunca tive paciência de esperar os carinhas que eu estava afim chegarem em mim. Eu, então, tomava as rédeas da iniciativa no xaveco. E foi nesse instante da minha vida, que comecei a sentir os efeitos colaterais do machismo que estruturam nossa sociedade.

Frente a esse problema eu tinha duas alternativas: 1- mudar meu modo de ser, e começar a jogar seguindo as ‘regras’, ou seja, esperando a boa vontade dos minos em vir me cortejar. 2- continuar na minha saga, baseada em dar o primeiro passo quando fosse de minha vontade. Decisão difícil, e quase sempre irreversível, para ser tomada por uma garota de treze anos que, no fim das contas, também buscava por aceitação social. A sorte é que eu conhecia a música “Lute Pela Sua Vida” daquela banda que eu falei ali em cima, que me ajudou a escolher qual caminho era o mais adequado para a minha personalidade.

A canção começava ironizando: “Eu acho feio uma garota dar em cima de um cara / Não é preconceito / Eu só acho feio!” e logo depois respondia: “Não importa se acham bonito ou feio uma garota dar em cima de alguém / É a sua vida / Não importa se acham bonito ou feio uma garota exercer certas atividades /É a sua vida /Lute por ela!”. Essa foi, sem dúvidas, a primeira vez que minha essência foi salva pelo feminismo, pois no fim, decidi não anular um aspecto minha conduta para me encaixar no sistema.

Continuei xavecando quando quis. E como bem disse Leminski: “Sorte no jogo azar no amor. De que me serve sorte no amor, se o amor é um jogo e o jogo não é meu forte, meu amor?”. Nessa lógica, ‘perdi’ e sofri preconceito muitas e muitas vezes, mas também ganhei. Ganhei, por exemplo, quando pedi meu ex em namoro, ele aceitou, e ficamos juntos por cinco anos. E sempre ganho, pois minhas atitudes não poderiam ser mais espontâneas. É um caminho difícil de trilhar, pois você se expõe, e na maioria dos casos, o moço provavelmente vai achar que você é fácil, oferecida ou vulgar. Mas não deixa de ser libertador, você poder pegar o telefone, ligar, ou mandar mensagem, praquele bonito que você tá afim e chamá-lo pra sair. Tem a chance de ele esfarrapar desculpas, mas também tem a chance de ele aceitar. E o melhor de tudo, é que você não precisa ficar esperando que ele decida por você, se vai rolar, ou não e quando isso poderia vir a acontecer!

Karolina Bergamo, 22, estudante de Jornalismo que gosta de criticar a imprensa. Quando precisa tomar uma decisão importante, ela pergunta no tarot o que fazer. Ele responde: “Reflita muito, antes de tomar qualquer decisão.”
Karolina Bergamo, 22, estudante de Jornalismo que gosta de criticar a imprensa. Quando precisa tomar uma decisão importante, ela pergunta no tarot o que fazer. Ele responde: “Reflita muito, antes de tomar qualquer decisão.”
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