Seu corpo te incomoda?

por Giovanna Cartapatti

Sempre ouço pessoas dizerem que nenhuma mulher é satisfeita com o corpo. Essa alegação, além de sexista – já que a insatisfação não é exclusividade de gênero –, é tratada com uma espontaneidade assustadora, que coloca a não-aceitação como a ordem natural das coisas.

Se digo que me sinto feliz e bonita sendo cheinha, muita gente entende que me autoafirmar é só uma forma de escapar da minha “realidade” (que realmente me agrada!).

Por que somos tão induzidos à infelicidade estética?

Numa relação de puro maniqueísmo, o corpo considerado feio e doente pela maioria das pessoas é aquele que carrega excessos. Estar acima do peso, de fato, traz riscos a longo prazo para o organismo, mas grande parte dos profissionais da beleza e da saúde fizeram dessa constatação o álibi perfeito para a mentalidade gordofóbica que carregam.

Da mesma forma como acontece com as medidas, cor (da pele e dos olhos), tipo de cabelo, marcas de expressão, músculos não definidos e tudo o que foge ao que aparece nas passarelas é considerado uma anomalia.

Um padrão de beleza só seria “possível” se vivêssemos em condições naturais e sociais idênticas. Não é viável, por exemplo, adotar o fenótipo francês ou sueco como ideal para o Brasil, conhecido pela diversidade e miscigenação. Essa ideia parece boba e óbvia, mas nunca nos vem à cabeça quando nos frustramos na hora de provar uma calça que veste até o 42 ou da epopeia que é achar uma base para pele negra.

Barriga, cabelos crespos, braços flácidos, estrias, celulites, rugas: o problema não está em você, mas sim nos olhos doentes de quem já não sabe enxergar sua beleza natural e individual, interior e exterior. Sentir-se deslocadx por não vestir 34 ou por não ter cabelos lisos e olhos azuis, só dá margem para o business da indústria da imperfeição, que busca em sua tristeza o consumo desenfreado de milagres que não acontecem e não precisam acontecer.

E se eu quiser seguir esse padrão?
Como comunicadora, feminista e manequim GG, minha função aqui é mostrar que é perfeitamente possível viver sem se enquadrar em padrão nenhum. Se, mesmo sabendo disso, seguir o que padrão pede te faz bem, vá em frente e mergulhe na vida sem beliscos no meio do dia e gorduras trans.

Da mesma forma que ninguém deve julgá-lx, por favor, não fique patrulhando o corpo de quem está ao seu lado por tomar as premissas do “padrão” como o único caminho.

No fim do ano passado, resolvi passar numa nutricionista para balancear minha alimentação e acabei comentando a novidade com várias pessoas que, em menos de dois dias, viraram nutricionistas e patrulheiros. É realmente frustrante e desagradável abrir um chocolate e ouvir um “e sua dieta?” ou “você não deveria ficar comendo isso”, do mesmo jeito que “você nunca pensou em colocar silicone?” ou “essa roupa não valoriza muito seu corpo” incomodam.

Respeite quem está feliz e nada de recomendações inconvenientes.

Trégua com o espelho
Não existe receita pra se aceitar. Existem indícios de que talvez você esteja insistindo numa maneira de ficar “mais bonitx” que vai contra suas vontades e ideais – ansiedade, pressão, frustração e infelicidade são alguns.

Se você está insistindo em uma mudança estética que parece não aliviar seu incômodo, avalie a real necessidade, lembrando que ninguém além de você deve ter influência sob seu corpo.

Com mente e corpo em harmonia, você sempre vai ser livre pra ser feliz do jeito que quiser. É o que vale.

Giovanna Cartapatti é estudante de jornalismo e webwriter. Nunca pisou em uma grande redação por acreditar que deve mudar o mundo começando por escolas e faculdades.
Giovanna Cartapatti é estudante de jornalismo e webwriter. Nunca pisou em uma grande redação por acreditar que deve mudar o mundo começando por escolas e faculdades.

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