Mom bod pode!

por Lanna Dogo

O “Dad bod”, para quem não conhece, é a moda dos homens com corpinho de “pai de família”. Começou nos Estados Unidos e está espalhando mais rápido que um meme qualquer. E o que seria corpo de pai de família? Você deve (ou deveria) estar se questionando. É aquela  famosa “pochete” que fica bem abaixo do umbigo que é conquistada depois de muitas noites levantando copos e copos de suco de cevada. Num nível mais alto, é aquela circunferência de gordura que funciona também como travesseiro para as parceiras ou os parceiros. Aparentemente, ter o “Dad bod” virou moda e várias mulheres estão gostando. Por incrível que pareça, existe até uma dieta para os homens conquistarem o corpo de “pai de família” sem ser realmente um. Sim, isso existe. Pode parecer piada, mas não é.

Mas… e as mamães?

Em uma rápida busca na Mãe Google, “como emagrecer rápido no pós-parto”, aparecem mais de 500 mil resultados de sites que tentam ajudar a nova mãe a ter o velho corpo. Pra quê?

Se manter o corpo sendo “pai de família” é difícil, imagine engravidar, ganhar 8kg (pelo menos), ter a pele esticada pelo peso da barriga, ganhar estrias, varizes, celulite, espinhas, queda de cabelo, unhas frágeis e insônia. Imagine não ter tempo/disposição para exercícios físicos. Por que, então, ninguém fala da mãe? Pensando no padrão de beleza imposto pela mídia, essas mulheres abdicam inteiramente de si, dos próprios corpos, para serem mães. É admirável!

A “barriga de chop” pode crescer, pode virar tanquinho, mas as marcas de uma mãe jamais voltarão a ser o que foram. E quem é mãe deveria poder se orgulhar de cada marca. Só elas podem tê-las. São marcas da vida que foi gerada dentro dessas mulheres. E isso só elas podem fazer.

Não deve ser fácil ter uma cicatriz que vai de lado a outro da barriga, ou não conseguir voltar ao “peso ideal” .Ter que comer saudável para o leite materno alimentar da melhor forma possível, mesmo que aquele prato de legumes não seja o que você quer comer. Por isso, a baixa autoestima nas mulheres no pós-parto pode resultar até na falta de libido, na vergonha de se despir na frente do parceiro. Homens, essa é a hora de você pegar a dar um beijo naquela estria enorme que apareceu na barriga da esposa e agradecer. Agradecer pelo corpo que ela abdicou, pelas dietas malucas que ela terá que fazer e o esforço sobrenatural para voltar a ter autoestima e ser saudável. Mães, vocês acabaram de ter um filho, e só isso, por si só, deveria te deixar orgulhosa de todas as suas marcas.

Para mim, é fácil falar. Tenho 21 anos e ainda não sou mãe. Tenho toda a vontade do mundo de ser e, quando eu for,  quero que todos me olhem com a mesma aprovação que olham para o “pai de família”. Mesmo acreditando que eu terei orgulho de todas as minhas marcas, sei que minha autoestima levará um belo golpe. Mas abdicar meu corpo para ter um filho ou filha deve ser algo indescritível.

Homens pais e não pais, vocês não precisam ter corpos sarados, bíceps estourando as mangas da camisa, ir à academia com regatas para chamarem a atenção das mulheres. Vocês podem ter o corpo que quiserem sendo pais de família ou não. Mas, por favor, vamos ter o mesmo olhar para o corpo das mulheres mães de família ou não. Mulheres não mães também podem ter o corpo de mães, e merecem todo respeito também, por que não? Por que ter corpo de mãe não é digno de admiração e atração masculina?

Antes que eu caia em algum discurso generalizante, acho importante dizer que homens, vocês também podem e devem ter o “corpinho de cerveja” que quiserem. Eu só quero que olhemos para as mulheres com corpos de “mães de família” do mesmo modo que vemos os homens com corpos de “pais de família”. Se vocês têm que dar duro no trabalho, não tem tempo para academia, corrida no parque e coisas do gênero, tudo bem. Mas vamos olhar do mesmo modo para uma mulher que acabou de ter filho e talvez nunca mais vá ter a chance de ter o antigo corpo de volta? E também para a mulher que não é mãe e que tem o corpo “de” uma, vamos?

Que nós gostemos do corpo rechonchudo do pai, mas que saibamos admirar todas as cicatrizes do corpo de uma mãe.

Lanna Dogo é estudante de jornalismo, namorada de política e amante de debates polêmicos. Aquariana que adora questionar a sociedade e fazer as perguntas mais estranhas nos piores momentos.
Lanna Dogo é estudante de jornalismo, namorada de política e amante de debates polêmicos. Aquariana que adora questionar a sociedade e fazer as perguntas mais estranhas nos piores momentos.
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