Tenho tatuagem. E daí?

por Camila Gregori

Hoje fiz minhas segunda e terceira tatuagens. Em janeiro de 2014, fiz minha primeira. Foram anos conversando com meus pais sobre isso.

Gosto muito de expor na pele o que há dentro de mim. Minhas tatuagens representam três paixões pessoais: música, gatos e astronomia. Prefiro tatuagens pequenas, discretas e não muito visíveis. Escolha minha. E desde os 14 anos eu queria pintar na minha tela pessoal os meus sonhos e amores.

(Fofo, né? <3)

ó, que lindeza minha tattoo!
ó, que lindeza a minha tattoo!

Acontece que ainda rola muito preconceito com tatuagem! Meus pais até apoiaram a primeira, uma clave de sol desenhada pela minha irmã. Não amaram a ideia porque eu era muito nova, tinha 19 anos. Mas respeitaram. As de hoje eles não gostaram. Falaram que já sei o que eles acham (sei mesmo: sou muito jovem, posso me arrepender, tenho que tomar cuidado com empregos, etc) e para pensar bem. Eu pensei.

Pensei que ainda rola um preconceito absurdo em cima de tatuagens. Minha amiga, estudante de Direito, teve que fazer na perna, um lugar possível de esconder por causa do trabalho. E ainda teve que ouvir parentes falaram que detestaram. Eu sou estudante de Jornalismo, aqui as coisas são mais tranquilas. Muita gente tem pelo menos um rabisquinho na pele. Mas fora desse círculo modernex ainda tem os traços de preconceito.

Ainda encaro um preconceito duplo: sou mulher E tenho tatuagem. Se tatuagem já não é cem por cento aceita pela sociedade, imagina uma mulher tatuada, então?! A não ser que seja algo fofo, feminino, delicado. O sistema solar não pode, é coisa de menino nerd. É surpreendente, mas já ouvi mais de uma vez a frase “você é mulher e fez tatuagem mesmo assim?”. Olha só gente, surpresa: SIM!

Algumas pessoas acham vulgar. Como se minha tatuagem me transformasse automaticamente em alguma criminosa, ou algo do tipo. Já me falaram que é ruim para a minha imagem e que nunca vou conseguir emprego. Bom, estou empregada e elogiaram as tatuagens novas (e olha que eu trabalho pro Bispo…). É difícil, mulher tatuada passa a imagem de “suja, desajeitada, satânica”. Bom, se é assim, eu sou isso tudo (feliz e com orgulho).

Eu compreendo que antigamente tatuagem era coisa de “pirata sujo”. E que depois virou coisa “de gangues”. E depois coisa “de roqueiro drogado que compartilhava agulhas sujas e transmitia doenças”. Sei que isso rolava, e muito. Mas hoje em dia é diferente. Os materiais são limpos, descartáveis. Tatuagem é uma forma de arte, muito pessoal e íntima.

Sei que se eu optasse por ser médica ou advogada, teria que esconder as tatuagens. O preconceito ainda não permite que eu saia por aí exibindo meu desenho novo por baixo do jaleco. Mas escolhi o jornalismo, um espaço pouco mais tolerante. Mas se eu quiser ser repórter ou âncora, imagine o tanto de base para disfarçar?

Não estou aqui para doutrinar ninguém e falar “SEUS PRECONCEITUOSOS VAMOS ABRIR A CABEÇA BLABLABLA”. Quero só mostrar que tatuagem é mais do que rebeldia. É arte, é beleza, é paixão. É colocar no exterior o que o interior grita e ama. Se você quiser fazer uma, for maior de 18 anos, souber bem o desenho e conhecer um bom tatuador, vai que é tua, gata! Não se prenda a preconceitos antigos que já prenderam muita gente no passado.

Para sempre e em frente! Com uns rabiscos aqui ou ali, e amor na pele. ❤

Cami Gregori
Camila Gregori é estudante de jornalismo, estagiária atarefada e tentativa de escritora. Apaixonada loucamente por música (gatos e astronomia rs) e adora uns rabiscos na pele e significados simbólicos. Está rabiscando a próxima tatuagem.

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