Eu, Tu, Elas entrevistamos: Vamos Juntas?

Você está andando sozinha, à noite, em uma rua vazia. De repente, você ouve passos: tem alguém atrás de você. Você aperta o passo, desejando chegar logo na frente de um bar, de uma loja, de qualquer estabelecimento com o mínimo de movimento. Mas já é tarde: os passos te alcançaram. Agora, a pessoa está atrás de você. Você olha para trás, já imaginando o pior, planejando uma fuga… E aí, uma surpresa boa: a pessoa é uma mulher. E ela sugere: vamos juntas?

Clique para curtir a página do movimento "Vamos Juntas?" <3
Clique para curtir a página do movimento “Vamos Juntas?” ❤

O Vamos Juntas? é um movimento online que ganhou uma fama impressionante nos últimos dias. Criado pela jornalista Babi Souza, pela designer Vika Schmitz, e pela social media Stephanie Evaldt, o objetivo da página é simples: unir mulheres na luta cotidiana: em vez de ir sozinha, vamos juntas? O Eu, Tu, Elas entrevistou a Babi para saber um pouquinho mais sobre o movimento, sua origem e sobre os possíveis planos para essa lindeza de sororidade prática. ❤ Confira:

Eu, Tu, Elas: O Vamos Juntas? tem chamado uma super atenção. Qual é a história dessa ideia?
Babi: O movimento começou no dia 30 [de julho], mas digamos que a sementinha dele, dentro de mim, germinava há algum tempo. Sempre fui vista como uma jornalista idealista que tem o sonho de mudar o mundo, e realmente tenho. Não que eu tenha a megalomania de achar que o mundo não viveria sem mil e tal, mas acho que tenho a responsabilidade de “mudar” o meu mundo e o mundo à minha volta, como acho que deveria pensar qualquer cidadão. Nesse sentido, vinha pensando muito sobre a relevância que eu tinha, não tanto como jornalista, mas principalmente como ser humano. Isso foi quando comecei a estudar e pesquisar sobre colaborativismo e empreendedorismo social. Entrei em contato com a incrível ideia de que as pessoas têm o poder de melhorar as suas vidas através da união e que juntos podemos mais e somos mais felizes. A velha ideia de que a união faz a força e de que ao invés de reclamar dos poderes, devemos nos propor, juntos, a deixar o nosso mundo um pouquinho melhor.

Como já estava em contato com essa forma de ver o mundo, o movimento surgiu como solução colaborativa para um problema real que passamos todos os dias.

Tive o estalo no caminho de volta para casa e com a Vika (que hoje é designer do movimento), montei um card (texto em imagem) explicando qual seria a ideia do movimento. A ideia era postar apenas nas minhas redes sociais para contar do movimento para as minhas amigas. A repercussão foi tanta que em menos de duas horas pessoas de fora do meu circulo de amizade estavam compartilhando a imagem e perguntando se tínhamos página, aí que criamos ela.

Como funciona a página? Como é a dinâmica, como as meninas podem enviar suas histórias?
As meninas mandarm muuuuuuuuuitas mensagens e algumas contam histórias nos comentários, mesmo.

Qual você diria que é o maior diferencial do Vamos Juntas?
Acho que é dar esperança e valorizar a união. Poucas coisas nas redes sociais têm esse objetivo.

Como está sendo ganhar essa fama repentina?
Tem sido engraçado! Principalmente porque sou jornalista e agora sou eu que tenho sido entrevistada. É bem estranho!

Vocês já receberam algum tipo de resposta negativa? Alguma ameaça ou comentário machista?
O máximo foram comentários no sentido de que a página é uma utopia, e o curioso: costumam vir de mulheres.

Vocês acreditam que uma iniciativa como a de vocês pode transcender classes, atingindo não só as meninas de classe média-alta?
Com certeza. Inclusive pelas mensagens que recebemos acho que tem meninas de classes sociais mais baixas que tem apoiado o movimento e contado suas histórias.

Quais os próximos planos? Pensam em algum tipo de parceria?
Sobre a continuidade de projeto, tenho muitas ideias (as próprias meninas da página dão muitas ideias). E agora, junto com a designer do movimento e a social media, estou estudando qual a melhor forma de tornar os encontros entre meninas possíveis. Este será o segundo passo do movimento, com certeza, ainda que eu acredite que o mais importante o movimento já tem feito: provocar que mulheres se identifiquem com outras mulheres da rua e no circulo de amizade e ter um olhar mais carinhoso para com elas – a chamada sororidade. Temos recebido muitas manifestações de pessoas querendo apoiar a página e algumas parcerias estão sendo pensadas, sim.

Tem gente que acredita que feminismo é exagero. O que você tem a dizer para essas pessoas?
Eu entendo feminismo como uma busca por direitos iguais e pela liberdade das mulheres
(diferentemente do machismo, que prioriza o sexo masculino),  então não vejo porque isso seria exagero! Definitivamente! Acho que, no futuro, vamos olhar para trás e pensar “Nossa, em 2015 as mulheres recebiam cantadas invasivas pelas ruas, como pode né?”

Quer acrescentar mais alguma coisa?
É incrivelmente emocionante receber tantos relatos de mulheres desconhecidas. Quase que posso ouvir dentro de mim uma voz que diz “sim, aquilo que as pessoas falam sobre a desunião das mulheres é mentira“. Primeiro porque elas confiam e acreditam na gente para contar história que, às vezes, nunca tiveram coragem de falar para ninguém. Segundo porque a grande maioria delas conta ocasiões em que mulheres de uniram e juntas foram mais tranquilas e felizes. Muitas têm me adicionado no face, inclusive, apenas para agradecer. É muito emocionante. Posso ver um sinal de que o futuro do mundo realmente é mais bondoso e colaborativo.

A entrevistada: Babi Souza é jornalista e linda e somos fãs dela! #escreveaquiBabi
A entrevistada: Babi Souza é jornalista e linda eincrível e somos fãs dela! #escreveaquiBabi
Helô D'Angelo tem 21 anos na cara e nenhuma ideia do que quer fazer da vida quando terminar a faculdade de jornalismo.
A Entrevistadora: Helô D’Angelo tem 21 anos na cara e nenhuma ideia do que quer fazer da vida quando terminar a faculdade de jornalismo.
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