Pare de culpar sua amiga pelo relacionamento abusivo dela

por Helô D’Angelo

Sua amiga está em um relacionamento abusivo. Desesperada, você não entende como ela consegue ficar com aquela pessoa que faz tanto mal para ela. Poxa, ela costumava ser tão dona de si! Ela é tão bonita, tão inteligente, tem família, um emprego bacana. Na sua cabeça, ela só pode ser burra ou fraca para ficar com alguém assim. Você jamais deixaria barato…

Deixa eu te falar várias coisas que talvez não tenham passado pela sua cabeça.

Coisa 1: culpar sua amiga não funciona
Sua amiga está sofrendo. A última coisa que ela precisa é de (mais) alguém dizendo o quanto ela é fraca e burra por estar com uma pessoa dessas.

Quando a gente está em um relacionamento abusivo, é muito difícil perceber. Porque a gente gosta daquela pessoa, fica muito complicado entender que ele ou ela nos faz mal. A gente releva: “ah, ele nem sempre é agressivo”, “ela é tão carinhosa às vezes”.

Mesmo quando a gente percebe que está em um relacionamento ruim, sair dele parece impossível. Porque a pessoa acha que, se sair, não vai conseguir arrumar ninguém nunca mais, que deveria agradecer por alguém aguenta-la, que ela é um lixo etc.

Quando você fala para a sua amiga que ela é fraca e burra por estar em um relacionamento abusivo, você confirma os sentimentos ruins que a relação alimenta na cabeça dela. E isso faz com que o namoro dela pareça o único espaço seguro no mundo – afinal, mesmo tendo “uns probleminhas”, ela tem alguém que a aceita e que, às vezes, trata ela bem.

Tenha mais empatia!

Coisa 2: a mulher é criada para servir
Quando você era pequena, aposto que sua mãe já disse para ficar bem comportadinha, porque fazer malcriação é coisa de menino. Aposto que você ganhou bonecas e que era elogiada por ser uma menina quietinha, e que, se não era quietinha, levava bronca por isso.

Aposto que você já ouviu, quando sentou de pernas abertas, que menina não senta assim, e que sentiu, ao entrar na adolescência, que sua aparência não agradava os meninos de alguma forma. Isso para não dizer que você ajudou sua mãe e sua avó a colocar e a tirar a mesa de almoço de domingo enquanto os tios e primos assistiam TV.

Desde pequena, você foi ensinada a não dar escândalo. A não ser barraqueira. A não exagerar, seja na reclamação da cólica ou na denúncia daquele menino que te obrigou a ficar com ele na festinha do colégio (na qual, aliás, você não conseguiu dançar porque estava desconfortável demais de salto alto e saia curta).

Para sair na rua, você sempre pensa duas vezes antes de usar shorts, vestidos, saias, mesmo quando está um calor terrível. Você frequentemente usa jeans, também, para evitar olhares – não que isso ajude. Você foi coagida a aceitar e agradecer o que lhe foi dado (afinal, você é bem comportada).

Você também machuca sua pele e se expõe a doenças ao se depilar, entope os poros com maquiagem, passa algumas horas do seu dia cuidando dos cabelos, porque cabelo ruim não dá. Ah, e você precisava ter um namorado, afinal, é só disso que suas tias, avós e até sua mãe falam quando perguntam “e os namoradjenho?”.

E esse namorado não precisa ser perfeito, viu? Aliás, não pode escolher muito, senão fica pra titia. Tem que aceitar o que a vida te deu com tanto carinho. E, quando estiver namorando, tem que comparecer, senão a concorrência vence.

Não vou continuar com a lista, que é infinita. Mas, se você respondeu “sim” a algumas dessas perguntas, pare e pense: desde pequena, você é ensinada que deve ser submissa, obediente, comportada. Que não deve reclamar, porque a sua dor não é ruim o suficiente, e porque reclamar é falta de educação. E aí, voltando à amiga do relacionamento abusivo, como você pode chamá-la de burra e fraca, quando a submissão dela é a sua submissão, que foi ensinada e encorajada desde cedo?

Coisa 3: poderia ser vocêzinha
Empatia significa conseguir se colocar no lugar do outro e perceber que poderia ser você. Mas o bacana é conseguir fazer isso sem se colocar como uma super heroína à prova de tudo, que faria muito melhor, porque, afinal, você não é burra e fraca.

Frases como “se eu fosse você, nunca cairia nessa”, ou “eu, no seu lugar, dava um escândalo” soam extremamente depreciativas para a sua amiga em um relacionamento abusivo. Então, antes de soltar essas pérolas, pense: você faria isso mesmo? Sério? Seria tão invencível e racional que ignoraria o que você sente pelo(a) namorado(a) e cairia fora? Acho que não.

Ninguém é de ferro. E quer saber? Tudo bem. Porque é justamente essa mania de dizer que somos fortes que mantém sua amiga em um relacionamento abusivo. Somos seres humanos e temos fraquezas, e um primeiro passo é admitir isso e procurar ajuda.

Coisa 4: como ajudar de verdade
Primeiro, mostre o vídeo da Jout Jout sobre relacionamentos abusivos. Ele é super didático e ajuda a entender que algumas situações são, sim, problemáticas, e que se sentir mal nelas não é exagero e nem culpa da sua amiga. Esse vídeo abre os olhos.

Depois, quando a sua amiga entender que está em um relacionamento abusivo, mostre que você pode dar apoio. Em vez de critica-la, abrace, diga que você está ali para qualquer coisa, que ela pode te ligar a hora que for. Esteja lá por ela: seja um ponto de referência fora do relacionamento. Mostre que o(a) namorado(a) não é a única pessoa que entende/ aceita/ quer ficar com a sua amiga.

Ajude a aumentar a autoestima dela. Quando ela fizer algo bacana, elogie. Aponte traços incríveis dela, sejam eles físicos, intelectuais ou da personalidade dela.

Enfim, seja uma aliada, e não uma inimiga. ❤

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Helô D’Angelo tem 21 anos na cara e nenhuma ideia do que fazer quando terminar a faculdade de jornalismo.

* Ilustra: Helô D’Angelo

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45 comentários

  1. Sempre fui considerada barraqueira por não me sentir confortável em situações que não me agradavam. Entretanto , já caí nesta cilada. O hormônio da paixão (ocitocina) tem duração aproximada de 2 anos no organismo. Aí, ou vira amor, amizade, companheirismo, tédio ou aversão, competição… O legal é perceber o que virou e cair fora rapidinho e tentar viver melhor, ou continuar… se for bom!

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    • Verdade. Lendo os comentários a gente começa a lembrar de relacionamentos abusivos. Vivi c um ex e quando me lembro de tudo,sinto raiva de mim. Como pude aceitar tudo aquilo calada? Eu não enchergava,tava cega. Vivi TB uma amizade que coloquei fim a pouco. A amiga me manipulava e me fzia me sentir mal por não viver p ela exclusivamente, conseguia me colocar como culpada quando na verdade era ela q tinha sido flsa e me traído. Ainda bem q me livre de ambos e a ajuda de amigos de verdade foi essencial e primordial. Amei o artigo. Parabéns!!!

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      • Oi, Aline! Importante lembrar que não precisa ter raiva de si mesma. Tudo o que você passou te ajudou a construir a pessoa que você é hoje ❤️

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  2. Incrível!
    No passado eu vivi um relacionamento abusivo por quase 2 anos.
    Quando eu falo dessa época eu costumo dizer que eu era um zumbi, que eu vivia no piloto automático.
    É estranho, por que eu era a mesma Luana que sou agora, mas as atitudes do meu ex companheiro me intimidavam tanto que eu vivia sempre me policiando para não falar ou agir de forma que pudesse iniciar uma discussão.
    Como eu disse, é estranho, só vivendo mesmo.
    Ótimo texto, EMPATIA é a palavra chave e nós precisamos nos ajudar.

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  3. Adorei!!! Se tem uma coisa que me revolta é nego que fala que mulher não “larga” do relacionamento abusivo pq não quer. Muito fácil falar um absurdo desses quando nunca se viveu com esse peso nas próprias costas.
    perfeitaassimetria.wordpress.com

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      • me desculpe, mas somente VOCÊ pode tomar as decisões pra cair fora dessa. Nunca vou conseguir entender a mulher que se envolve e permite acontecer tamanho absurdo. Minha amiga se encontra em um, e ñ quer sair, ELA NAO QUER , simplesmente, porque já buscamos toda a ajuda possível . enquanto isso ela está lá sem aNdar de tanta porrada que pega.

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  4. Me interessei pelo texto por que estou vivendo exatamente isso: estou vendo uma grande amiga minha sendo abusada pelo namorado que acha que ela é propriedade dele. Graças a informação que tenho diariamente sobre o assunto, sei que não sou ninguém para chama-la de fraca ou burra, mas fico me sentindo totalmente impotente sem saber o que fazer para ela me ouvir e sair dessa situação. Ela acredita que quem tem que dar os limites do machismo do namorado é ela (não, a culpa/responsabilidade nunca é da vítima) e está difícil de fazer ela enxergar as coisas. Estou fazendo o que posso: munindo ela de toda a informação que eu tenho e acesso sobre abuso e machismo, mas deixo aqui o questionamento: como tirar uma pessoa da situação de abuso quando ela não quer sair? Beijo e parabéns pelo texto lindo.

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    • Por experiência, a não ser que tenha violência física envolvida (que eu sempre acho que se deve dar queixa na polícia), eu deixaria ela tomar a iniciativa por conta própria. Se você forçar a barra, pode ser que o namorado a ponha contra você e ela acabe se afastando. Ou até ela se afaste de você pra pensar por si mesma. Contanto que ela saiba que vc está lá para ajudá-la e apoiá-la quando ela precisar, vc ão pode fazer muito. Quando tiver chance, lembra com ela de coisas que ela esquece pra ajudar no reconhecimento de si mesma. Às vezes a nossa memória joga um jogo auto-destrutivo. Ajude ela a lembrar de coisas que ela disse e esqueceu, e só isso.

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      • Boa, Astrid! E a gente diria mais: ajude a lembrar o que faz da amiga uma pessoa especial e incrível, mas sem usar isso contra ela. Tipo: em vez de dizer “você é tão incrivel, não entendo como está com esse cara”, diga “você é tão incrível, tenho muita sorte de ter você como amiga”. 😉

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  5. Que texto incrível! To-do-mun-do deveria ler!
    Eu cresci com uma mãe que sempre me ensinou a ter auto estima e nunca ter que agradar ninguém. Ainda assim, caí num relacionamento abusivo, e nessa perdi mais de 2 anos. Ele era controlador, arrogante e grosso, mas me dava atenção e eu o achava o máximo, por isso continuava. Depois de muita ajuda do meu melhor amigo, que na época sempre me dizia o quanto eu era boa demais pro cara, que eu era incrível e qualquer cara deveria se sentir sortudo por namorar comigo, consegui terminar. Ainda assim o cara ameacou se matar, e me ligou todos os dias por dois meses, mas eu resisti. Hoje acho que aprendi muito com esse relacionamento, inclusive acho que o que aprendi serve pra que eu hoje viva feliz meu casamento.
    Acho importante ter compaixão, e paciência. Culpar ou criticar a vítima só piora as coisas. E acreditem, quem está num relacionemos abusivo nunca está porque quer, mas porque se vê sem saída. Ajude a pessoa a ver a saída, e só isso pode ajudar.

    Parabéns pelo texto, Helô!

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  6. Saravá! Por aqui passando a mesmíssima situação da Fafá… Amiga com companheiro extremamente machista, possessivo, cerceador, agressivo. Termina, eu os convido (ela e o filho de outro pai) pra ficar em casa comigo e meu filho também. Ela fica 3, 4, 5 dias, ele liga pedindo perdão, quase chorando (lágrimas de crocodilo!) e no dia seguinte eles reatam e começa tudo again. Um ano neeeessa. Não sei o que fazer, que merda! Ela já passou por outro relacionamento muito violento, com agressões físicas TODOS os dias, e se culpa por isso, com mtas projeções no futuro… Os psicólogos pioraram mais ainda, a culpando pela fraqueza de não sair logo dessas histórias e legitimando os agressores, tentando dizer que possivelmente eles tinham sido vítimas em algum momento de suas vidas. Gente, tudo tão cliché. Me apego aos Orixás e confio numa solução definitiva, mas aqui no mundo dos homens, tá complicado, viu!? Perdão o textão, e se alguém tem alguma luz, por gentileza, por amor, compartilha aqui, que ninguém merece viver isso e nós podemos muito mais! Cuidemo-nos!!! Asè!

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    • Oi, iaiá, tudo bem?

      É mesmo muito difícil viver isso tudo. E é bem complicado estar de fora, de mãos atadas. Mas sua amiga tem você, disso ela sabe bem; ela sabe que não está sozinha e que pode sempre contar com a sua ajuda.

      Sobre os psicólogos, e se a sua amiga procurasse psicologas feministas? o problema dela vai muito além dos traumas pessoais; ela está sendo afogada pelo machismo na pele!

      beijos e obrigada pela leitura! ❤

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  7. É bem por aí… Geralmente a pessoa permanece num relacionamento abusivo por pura falta de auto estima. Mas não é exclusividade do sexo feminino, há relacionamentos em que o abuso vem do outro lado e da forma mais cruel possível: a psicológica. A tortura psicológica é algo arrasador… Tenho um caso na família e é grave, muito grave… Foi bom ler sobre como ajudar, porque assistir e não fazer nada, só porque eu tb fui ensinada de forma errada não é a minha praia.

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  8. Em referência aos variados “aposto que…” pois bem, aposta perdida.
    Meus pais nunca falaram que malcriação é coisa de menino, e sim que era coisa errada. Ganhei mais hotwheels, espadas de brinquedo e bonecos de cavaleiros do zodiaco do que barbies ou susis, nunca fui condicionada pelos meus pais a comprar apenas ”caixas rosas”

    Na minha casa quem comeu tira a mesa, isso sempre inclui TODOS, exceto em casos de visitas mais velhas, e cansei de ver meus pais mandando primos tirarem a mesa e dando bronca neles por deixar bagunça pelos lados. E para ser franca, normalmente os homems cozinhavam enquanto as mulheres assistiam TV.

    Meus pais sempre me ensinaram a ser forte, a não engolir sapo, mas a ser educada, não por que sou mulher, mas por que boas pessoas devem ser educadas.

    Eles não criticaram nenhuma fase de estilo minha, e honestamente sempre adoraram meu cabelo curto.
    Apoiaram minha irmã e eu em nossos treinos de artes marciais desde muito pequenas, completando mais de 17 anos em artes marciais (judo, karate, muay thai, jiu jitsu e boxe), sem dizer que era coisa de menino, ao contrario, vibravam a cada campeonato ganho. Mesmo nossos professores nos treinos puniam alunos que falassem que arte marcial não é coisa de garota, mostrando que meus pais não eram algo lá tão raro assim em seu apoio, e as unicas vezes que fui atacada moralmente por ser mulher em um treino, foram recentemente como adulta, e respondi a altura. Não foi nem necessário um desafio formal, no mesmo exercício, no primeiro chute contra a almofada que ele segurava, o agressor e sua ignorância foram ao chão. Não fiz barraco, não por que meninas não fazem barraco, mas por que tinha um jeito muito mais prazeroso e eficiente de mostrar o quanto ele estava errado em me subestimar por ser mulher. Situações como essa aconteceram inúmeras vezes principalmente em treinos de karate, mas por estarmos sempre dentro do tatame, sempre foi consideravelmente fácil sobrepujar os agressores fisicamente. Vale mencionar também que o grupo de faixas mais graduadas sempre estimularam mais esse tipo de atitude principalmente entre garotas.

    Uso mais vestidos e saias do que qualquere outra coisa. E não digo um vestido maxi pra me cobrir não, ou um vestido a la panicat todo colado….não. Uso algo bem mais chamativo, uma moda japonesa baseada na era vitoriana chamada Lolita, muitos acham que pareço uma boneca ambulante, mas usar coisas ultra femininas agora não nega o fato de que fui molequa quando criança. Então não me incomodo em receber olhares na rua, recebo-os muito pela natureza incomum das minhas roupas. Quando algum homem faz gracinha, pego o celular e aviso que chamarei a polícia, e na mesma hora a pessoa sai correndo, por que foi isso que me ensinaram a fazer, qualquer tipo de assédio é ilegal e por isso devemos chamar a polícia.

    Então pode passar o dinheiro que você perdeu a aposta. Não gostei do tom generalista desse artigo. Nem todos foram ensinados a serem submissos, esta é a SUA visão de como garotas são tratadas, eu conheço milhares de outras mulheres que tiveram pais com cabeça no lugar o suficiente para ensina-las de maneira semelhante ao que me foi ensinado.

    Muitas vezes crescer em um lar que não te ensina a ser submissa, é algo que pode prejudicar um amigo que seja submisso, isso é verdade. Mas o artigo mais culpa o amigo pela situação que o outro está passando mais do que tenta ajudar. Mas usar esse tom condescendente sobre a sua única e pessoal visão de como mulheres são criadas no Brasil, apenas ajuda essa concepção a crescer mais. Como se casos diferentes não existissem ou se fossem exceções raras demais para comentar. Digo que mulheres com criação semelhante a minha são muito mais comums do que você pode imaginar. E falar de sua existência ajuda e inspira outras mulheres a buscarem mais força em si.

    Pessoalmente acho muito nocivo ficar repetindo que “não é culpa sua, tadinha”. É claro que compreendo que existem muitos fatores que levam uma pessoa a se apaixonar e depois não conseguir sair do relacionamente. Mas este artigo, assim como muitos outros, não ajuda nenhum dos lados a sair dessa situação. O de fora tem que ficar dando tapinha nas costas sem falar o quão perigosa é a situação da amiga, e a amiga tem que ser tratado como um bichinho burro que não raciocina?

    Existem jeitos e jeitos de abordar o tema dependendo do tipo de pessoa que a vítima é e do tipo de amizade que se tem. Existem amigos que precisam de empurrões mais proativos, outros precisam de argumentos lógicos, e outros precisam de abordagens mais calma.

    Mas ficar dando elogios aleatórios não ajuda. Pode não piorar. Mas não irá tirar sua amiga dessa situação. Criticar a vítima e criticar o agressor são duas coisas completamente diferentes, mas de novo o generalismo do artigo não enxerga que as pessoas são diferentes e reagem a coisas diferentes. Uma crítica à vítima pode não ser o caminho, mas críticas ao parceiro, tentativas de mostrar – não apenas com fala, mas com exemplos de outros homems – que o que este parceiro faz não é certo nem normal, são abordagens válidas que podem efetivamente ajudar, como já ajudou minhas próprias amigas que estavam em situação parecida. Ao invés disso o artigo apenas diz “‘não xinga, só elogia” dando a impressão de que deve ficar calado quanto à nocividade do relacionamento do amigo.

    Normalmente não costumo comentar em artigos na internet, simplesmente por acabar virando mais dor de cabeça do que outra coisa, mas esse artigo me incomodou profundamente sendo 2 terços dele falando que toda mulher é criada pra servir.
    Como um artigo que diz que quer ajudar, pode realmente ajudarm alguém se não consegue enxergar as diferenças entre as mulheres e coloca todas em um grande bloco de infância machista que não pode ser responsável pelas suas escolhas, apenas receptor passivo dos males do mundo?

    Quero acreditar que esta não é a visão da autora após um pouco de reflexão, mas infelizmente é assim que o artigo se apresenta para alguém que não se encaixa no padrão de infância sugerido.

    Creio que faltou maturidade por parte do artigo em abordar a infância da mulher como machista sem qualquer consideração à outras possibilidades. O que resulta em um artigo que, honestamente, não apresenta substância ou pesquisa sobre o tema, apenas mais um grande bloco digitado de “achometros” que podem chegar a nocividade para outras mulheres.

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    • Obrigada por ter postado isso. Pena e condescendência não tratam carência e submissão. Coragem e força, sim.
      Parem de procurar desculpas. Procurem bons exemplos e, o mais importante, nunca aceitem serem tratadas como uma criança.

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  9. E o que a gente faz quando a amiga SABE que tá num relacionamento abusivo, quando todas as amigas na volta já tentaram ajudar e MESMO assim esse relacionamento não termina nunca pelos motivos de ‘nunca vou conseguir ninguém melhor’? É muito desesperador, gente… o menino já até ameaçou de morte “brincando”, mas ela não termina pq gosta dele. 😦 #ajudaluciabo

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    • Ju, sua amiga precisa de uma terapia! O problema que ela tem é para ver o valor nela mesma. Ela precisa de um banho de autoestima, e isso só um bom psicólogo pode oferecer porque ele estudou para isso ❤

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  10. Eu concordo que todos esse “valores femininos” reforcem a insegurança de uma mulher em terminar um relacionamento abusivo mas discordo que seja apenas isso, até porque homens também sofrem abuso nos seus relacionamentos.
    Eu sou craque em relacionamentos abusivos, e parei depois de perceber que sou a única pessoas responsável por quem entra e quem sai da minha vida.
    Na minha opnião é comodismo mesmo.
    Assim como alguém se acomoda em um emprego +/-, uma vida +/-, tirar notas +/- pra passar em um curso +/-. Enfrentar os problemas dói, exige coragem e sempre tem um preço alto.
    Costumo dizer que tudo tem um preço basta saber o que você está disposta a pagar.
    Para permanecer no relacionamento abusivo, você deixa de fazer muitas coisas e continua em um relacionamento.
    Para sair do relacionamento abusivo, você faz o que quer e não tem previsão de um próximo relacionamento.
    Qual o preço você está disposta a pagar?
    Acho que o amor próprio é sempre a melhor saída.

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    • Claro que o amor próprio é sempre a melhor saída. Mas, se você já passou por relacionamentos abusivos, sabe o quanto isso parece impossível na hora. Ou você fez esforço zero? Com certeza não: com certeza você eve que ter muita, MUITA força para sair dessas relações.

      E é claro que existem homens que sofrem com relacionamentos abusivos, mas este é um espaço destinado às minas, então não cabia falar disso no texto, né?

      Beijo!

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    • Foi uma forma de falar, Mariana. É claro que isso não é o trabalho do psicólogo literalmente (até porque literalmente isso seria bem difícil), mas ao tratar inseguranças por meio do processo terapêutico, a autoestima vai melhorando aos poucos, né? Mesmo que haja várias linhas na psicologia, todas são voltadas para o autoconhecimento e o entendimento do ser frente ao mundo e às relações, e entender isso ajuda a entender a si mesmo. Ou não, estamos erradas? Desculpa se a gente te ofendeu de alguma forma, ou se diminuímos o trabalho importante do terapeuta. Você não topa escrever sobre isso aqui pro blog?

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  11. Eu vivo em um relacionamento abusivo, fui casada 7 anos com o pai do meu filho e apesar de não haver amor ele sempre respeitou meus limites… So que a 9 meses atras conheci o meu atual namorado,eu tenho 21 anos e ele 33 e a nossa relação ta sempre indo e vindo por conta do ciume doentio dele e das cobranças infundadas! Ele reclama da minha roupa, nao admite que eu tenha amigos e amigas, me proíbe de conversar com o cunhado dele,e nao gosta que eu converse com meu padastro, me proibiu de ter facebook tbm. E essas são apenas uma das pouca coisas… Ele sempre me humilha, me enche de palavrões e também ja me bateu uma vez, mas isso nunca mais aconteceu … enfim eu penso em desistir da nossa relaçao, mas ele e o homem da minha vida e quando a gente ta em quatro paredes a gente se trata muito bem e tal é so carinho e declaraçao o problema e quando a gente sai na rua ou vai em algum lugar… eu nao posso nem olhar para o lado. Eu ja tentei varias vezes fugir desse relacionamento, mas nao consigo eu amo ele e sei q ele tbm me ama.

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    • Lilian: será que é amor ou só dependência?

      Não que o que você sinta não seja real, mas uma relação que só te faz mal, que só te corta, não pode ser baseada em amor.

      Amor é companheirismo, confiança, diálogo e liberdade. E não medo, angústia, insegurança.

      Talvez seja a hora de ter um papo sincero com seu namorado e tentar entender o que é melhor para os dois.

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  12. Tenho uma amiga nessa situação há quase 7 anos. Já passei da fase de dizer que se fosse eu… ela já sabe que está em um relacionamento abusivo faz algum tempo. Ela termina, mas ele não deixa ela em paz e ela volta, alimentando a loucura dele. Já não sei mais o que faço pra ajuda-lá, porque ela sofre sem ele, mas sofre tão mais com ele.

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  13. É bom as “anormais” como eu ajudarem.

    E quando falo ajudar, significa isso mesmo: ajudar não é se tornar a protagonista da vida da amiga. Ela é a protagonista, não eu.

    Ajudar é a pessoa perceber sozinha que está num relacionamento abusivo. Ajudar é fazer a pessoa perceber que não precisa do relacionamento abusivo. Ajudar é fazer a pessoa perceber que não é legal continuar como criança dependente, que crescer e virar adulto capaz de sobreviver sozinho é uma necessidade para todos os seres vivos, se não quiserem morrer.

    Pouca gente realmente é adulto. No sentido que não ficou de neuras na juventude “nunca vou conseguir alguém pra mim”. Adultos não tem essa neura, porque não precisam de alguém para cuidar dele-dela.

    Adultos se resolvem morar junto com alguém, é porque aprecia a companhia da outra pessoa.

    Crianças, entram em pânico ao pensar que nunca vão encontrar sua cara-metade. Que podem ter de enfrentar a vida sozinhos, depois que papai-mamãe morrerem. E eles vão morrer antes, pois o contrário em geral é tragédia.

    E como a maioria das pessoas são crianças, acabam jogando suas responsas em alguém tão incapacitado quanto eles próprios. Ambos vão reclamar um do outro. Mesmo que fossem adultos, reclamariam, mas quando são crianças, é pior ainda. Retire a babá e deixe crianças sem educação livres da “babá tirana” e veja como elas começam a se matar. (um dos motivos esquecidos porque temos padrinhos no casamento)

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  14. Achei o texto interessante, mas como uma mulher que viveu diversos relacionamentos destrutivos (tanto que hoje frequento uma sala de 12 passos, chamado MADA), olho para a minha responsabilidade. Era interessante emocionalmente para mim ser a vítima. As pessoas me chamavam de coitada, que o outro não reconhecia meu valor, que eu era boa demais pra ele, e isso me ajudava a permanecer no meu papel de “coitada de mim e tudo que aguento” e não precisava fazer nada. Afinal, ELE era o errado. Ok, o outro tem sua parcela de responsabilidade, mas eu também tinha a minha. O que aprendi é que todo relacionamento destrutivo tem ganhos para os DOIS lados. O meu era viver no papel da coitada e ter aplausos de muitas pessoas de suportarem o que eu suportava. E o que me levou a procurar ajuda, foi quando as perdas ficaram muito maiores que os ganhos. Precisei chegar no fundo do poço para buscar ajuda. Claro que os ganhos são destrutivos, vem da baixo-estima, mas hoje vejo como meu papel de vítima tinha vantagens. E uma delas era não precisar me mexer, não precisar olhar para mim mesma, não fazer o trabalho de base. Porque eu saia de um relacionamento ruim para outro. E sim, eu era responsável por deixar aquele cara ir até certo ponto. E eu só procurei ajuda quando minhas amigas não aguentavam mais me escutar falando sobre o cara, quando minhas amigas pararam de falar “tadinha de você”. Estou no grupo há 5 anos e faço terapia há 2 anos. Não falo pelo grupo, falo apenas da minha experiência. E me preocupa esta onda de amigas salvadoras. Ninguém pode salvar ninguém. E quanto mais tentei salvar minhas amigas, mas as ajudei a manterem-se no mesmo lugar. Eu agradeço a amiga que falou que não ia mais me escutar falar sobre aquilo. Que já tinha dado. Porque ela foi a pessoa que teve coragem de dizer que “seu ouvido não era penico” e a que, realmente, me deu a oportunidade de sofrer, sentir, e buscar algo melhor pra minha vida!

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  15. No meu caso, passei por um relacionamento abusivo por 6 anos. Quando percebi que me fazia mal, eu sabia que deveria terminar, mas não sabia como já que estava apaixonada. Determinada, eu coloquei na cabeça que a próxima mancada que ele desse, seria meu impulso pra mudar as coisas. E assim esperei, não demorou muito, poucos meses e lá estava, me decepcionando de novo, eu terminei mas o mantive por perto pra amenizar a minha dor e enganar meu cérebro. Ai começou meu próprio tratamento. Eu passei a sair bastante com minhas amigas, fazer coisas que me deixam feliz, mas atendia os telefonemas dele, dizendo que aceitava conversar melhor com ele, que nos encontraríamos de novo, mas nunca ia de fato encontra-lo. Era só uma estratégia pra enganar meu cérebro e meus neurônios não me deixarem louca. Enrolei ele por 4 meses. E depois desse tempo eu já estava livre, e sequer atendia mais suas ligações, nem mensagens. Eu consegui porque procurei dentro de mim uma solução que funcionasse pra mim. Pode não dar certo pra todos, mas pra mim funcionou perfeitamente. E hoje tenho nojo de lembrar como era estar com ele. Livros que me ajudaram muito: A dor de Amar. E Amar ou Depender?

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  16. Estou em um relacionamento assim, sentimento de total desesperança e desolação. Não sei o que fazer. Minha mente está doente.

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