Uma carta para mim mesma aos 10 anos

por Letícia Fudissaku

Sempre adorei caderninhos de perguntas. Um dia, revendo um dos caderninhos de uma amiga, me deparo com a pergunta “Qual é seu maior sonho?”. A maioria das menininhas (que deviam ter entre 9 e 10 anos) diziam coisas como “encontrar o amor da minha vida” ou “que meu paquera goste de mim…”. Minha resposta? A mais tadinha do Brasil: “Ser bem sucedida profissionalmente”. Juro por Deus.

Eu adoraria dizer que era uma garota super esclarecida e empoderada, mas isso seria mentira. A verdade é pura e simples: eu já tinha aceitado que não era bonita. Usava óculos redondinhos e era mais cheinha que as outras. Minhas amiguinhas tinham vários pretendentes, mas eu devia estar na categoria “bro”.

E aí, como em qualquer filme adolescente, pouco depois fiquei linda e todos se apaixonaram por mim, certo? Não, na verdade não. Cresci, dei uma emagrecida, mudei de óculos, mas ainda era a mesma por dentro. Simplesmente não me considerava uma opção. Para completar, sempre curtia os carinhas mais disputados, que nunca nem me olhavam na cara. Um verdadeiro coquetel de frustração.

Quando enfim comecei a despertar interesse dos boys, fiquei completamente confusa. Não sabia lidar com alguém demonstrando interesse por mim. Qualquer carinho já ficava tipo “hahaha afe, sai daqui, doido”. Sabe aquela coisa de te chamarem e você olhar pra trás, porque tem certeza que não é com você? Isso resume os primórdios da minha vida amorosa.

E o mais doido é que ninguém foi especialmente cruel comigo, dizendo que eu era feia e morreria sozinha ou algo do tipo. Eu que coloquei isso na minha cabeça – de um jeito tão intenso que eu já nem tinha dúvida. Por mais que agora me pareça engraçado, é muito triste pensar que existem garotinhas que se sentem exatamente desse jeito.

Por isso, representatividade é importante. A mídia tem a obrigação de mostrar todas as formas de beleza. Pode parecer frescura ou “fazer média”, mas o conteúdo que é produzido pelos meios de comunicação é assimilado por todos – inclusive por garotinhas que, além de sofrerem com a puberdade, não tem um psicológico trabalhado pra manter a auto estima em dia.

Se pudesse encontrar a Leticinha dessa época, daria um abração e diria que ela é linda desse jeitinho, e que as pessoas que não souberem reconhecer sua beleza não valem a pena. E estendo essa mensagem a você, querida leitora!

Aproveito pra dar aquele toque de miga: evite falar mal da aparência de outras mulheres. Não alimente esse tipo de conversa – às vezes é difícil, eu sei, mas evite. Por outro lado, não economize elogios sinceros. Toda mulher tem direito de se sentir linda, inclusive você!

Letícia Fudissaku Diretora do Rebobinando (o TCC mais legal da cidade), cursando o quarto ano de Rádio e TV. Ama escrever mais que tudo e quer ser uma roteirista/diretora bem sucedida daqui alguns anos.
Letícia Fudissaku
Diretora do Rebobinando (o TCC mais legal da cidade), cursando o quarto ano de Rádio e TV. Ama escrever mais que tudo e quer ser uma roteirista/diretora bem sucedida daqui alguns anos.
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