Crônica: Eu, Girassol

por: Loli 

Certa vez, me perguntaram: “quem é a flor da sua vida?”. Não tardei a responder. Era eu, euzinha, com meu jeito agitado de menina levada.

Eu era um girassol, sempre em busca de sorrisos ensolarados e alegria por onde quer que eu passasse. Eu sou um – ou seria uma?- girassol muito orgulhosa de mim mesma.

Mas, sinto em me dizer, nem sempre fora assim.

Já houve dias em que, ao mínimo rastro de luz, eu ignorava os raios do Sol e olhava pra minha amiga rosa. Para aquele buquê exuberante, cheiroso e certamente encantador de rosas vermelhas. Aquele que todo mundo sonhava em ganhar de presente. Aquele buquê misterioso. E eu queria ser assim também; exótico e maravilhoso, com aquela cor feroz e lasciva, como dizem nove a cada dez floristas.

Não me contentava com minha aparência infantil, com meu rostinho cheio de raios de Sol. Com meu jeito de estampa de verão. Eu queria parecer madura, bonita, não sei. Passei a podar as minhas pétalas e a tentar criar espinhos em meu caule; a tentar enrubescer mais. Cheguei a tentar me pintar, para ficar como uma rosa. Eu almejava ser aquilo que estava na porta da florista, na capa do catálogo, com um sorriso inabalável no rosto. Quanto mais parecida com uma rosa eu fosse, pensava eu, mais alegre seria.

O que eu não sabia era que, para ser feliz, só precisava de um sorriso. E, quanto mais eu pensava na rosa, menos o Sol apareceria para mim, e, assim, mais triste eu ficava.

Não, eu não precisava ter espinhos delicados. Nem um cheiro afrodisíaco. Eu só precisava parar de me podar.

Porém, a ficha só caiu quando eu resolvi me olhar no espelho em vez de ver a rosa. Fazia muito tempo que eu não olhava para a cara do Sol. Eu estava murcha e minhas pétalas estavam tão diferentes que eu mal parecia um girassol. Eu não parecia mais eu, nem mesmo se eu forçasse um sorriso.

No dia seguinte, então, resolvi partir em uma missão: ser feliz. Quero dizer, eu já tinha embarcado nela. Só que agora ia ser do jeito mais girassoleano possível; sorrindo à luz do Sol e vivendo como se todos os dias fossem verão, ignorando perfumes, a diferença de preço entre eu e a rosa, meu número no catálogo, minha popularidade e tudo o que mais fosse.

Fiquei muito feliz ao ver que, dias depois, eu havia recuperado meu estado de girassol. Eu estava feliz, saudável e inatingível – com a minha cara de estampa de verão.

Eu era o girassol da minha vida.

Assim, quando você me perguntar “quem é a flor da sua vida?” eu lhe responderei: “Eu sou o girassol da minha vida, sempre em busca de sorrisos ensolarados e alegria por onde quer que eu passe”.

Entretanto, não desmereço a rosa. A rosa é linda, também, assim como as orquídeas, as tulipas, enfim, todas as flores do mundo. A moral que carrego nessa minha jornada é a seguinte: só por ser uma flor, você já é maravilhosa.

E, você, moça, também é uma flor. Uma irmã nessa imensa família.

loli
​Loli, 15 anos. Distraída e amante de palavras. Pretende virar escritora e música, mas por enquanto só fica 5 horas todos os dias sentada na sala de aula.
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