Diga não sem culpa: que meu desabafo sirva de conselho

Pensei que seria mais um final de semana normal, com uma festa normal em que eu iria me sentir bem e rir. Nesse dia, eu resolvi não beber. E um dos rapazes da festa, que eu conhecia há algum tempo, resolveu dar em cima de mim e querer ficar comigo. Eu, justo eu, quieta no meu canto, sem causar problema algum.

abuso
Ilustração: Helô D’Angelo

Bom, eu fiquei com ele. Mas ele estava bêbado e dava para perceber. Talvez, esse tenha sido o motivo de ter ficado comigo, eu pensava, com a autoestima baixa que toda mulher é obrigada a ter.

Acontece que ele não queria apenas ficar, como eu. Ele tentou de todas as formas passar a mão no meu corpo, até que eu cedi – por medo, por inércia, por vergonha. Eu estava me sentindo constrangida, que é um sentimento horrível. Nessa festa, estavam muitas pessoas que eu conhecia (inclusive, a gente estava no apartamento de um ex-professor). E aquela situação me constrangia e me deixava mal. Eu queria fazer ele parar.

Em certo momento, ele não quis parar, mesmo eu dizendo não. Ele continuava e eu não conseguia me impor. Eu, mulher, sozinha, autoestima baixa, não sei me impor – estou aprendendo. Eu tentava sair, mas ele me prendia, segurava minhas mãos. Uma hora, ele me perguntou se eu não gostava de aventuras. Sim, gosto. Mas não desse jeito. Mesmo assim, fiz coisas que não queria fazer, obrigada pela situação. 

Só de lembrar de tudo, me dá muita vergonha. Muita raiva. Muita impotência.

Mas, apesar de horrível, essa história me ensinou uma coisa muito importante: precisamos nos respeitar sempre. É difícil, principalmente em situações como essa que eu passei, nas quais você não consegue dizer não. 

Temos que lembrar também que você não é uma idiota se não conseguir. Afinal, se respeitar é um esforço enorme em uma sociedade machista como a nossa, na qual nós, mulheres, somos sempre obrigadas a agradar. Vá aos poucos, mas exercite isso, pelo seu bem.

Se algum cara quiser fazer alguma coisa e você não estiver afim, não faça. Se ouça, se respeite. Se você quer so beijar, apenas beije. Não faça algo que não está com vontade. Diga não, imponha isso. Grite, se necessário. Mas faça o que você sentir vontade de fazer – e sem pensar no que os outros vão pensar de você.

* A autora pediu anonimato. Claro que a gente deu!

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Um comentário

  1. Situação desagradável mesmo, mas eu acho que não precisa se culpar tanto assim, pois acabou tirando uma lição de tudo isso, tenho certeza de você não vai permitir que isso te aconteça outra vez, saber se impor numa situação dessa e em outra que a vida nos traz, é o segredo, mas isso não é do dia pra noite que sabemos, as vezes temos que passarmos por situações constrangedoras, para termos outras atitudes, e não permitir que ninguém nos faça nenhum mal.

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