A mudança é lenta, mas está acontecendo

por Gabriela Casanova

Durante a minha infância e na adolescência, eu achava normais diversos comportamentos que só hoje, aos 21 anos, tenho consciência de que são absurdamente problemáticos.

Eu lia revistas que me ensinavam o que os meninos gostavam, o que eu deveria fazer para chamar atenção deles, quais comportamentos uma menina devia ter, entre outras matérias que focavam sempre em agradar um menino. Fiz dietas malucas, segui conselhos que jamais deveria ter seguido, admirei pessoas que pregavam o machismo, falei diversos absurdos – e achava normal.

Mas eu mudei. E o mundo está mudando.

Essa semana, por exemplo, eu tive a oportunidade de entender a visão de uma menina que trabalha como modelo. A Isadora trabalhava em uma agência de modelos enquanto eu era booker lá, e ela simplesmente me surpreendeu. Isadora tem 15 anos, é modelo, é lindíssima e é muito querida. O que nunca imaginei é que Isadora viria a se tornar feminista!

Ela compartilhou uma imagem que pregava gordofobia e argumentou contra a tal imagem, falando sobre a liberdade das mulheres, sobre aceitação do corpo, sobre compreensão. Eu fiquei chocada.

Eu, com 15 anos, era moleca. E não só moleca: eu também reproduzia comportamentos e pensamentos machistas. Eu não me dava muito bem com as outras mulheres e invejava o comportamento dos homens, porque, na minha cabeça, eles não tinham “frescura” e teriam muito mais liberdade do que eu, uma menina.

Eu julgava as meninas, concordava que roupa curta era motivo para ouvir assovio, que era super normal os homens agirem assim, que era natural.

Ainda bem que os tempos realmente mudaram!

Recentemente, ganhei de uma amiga o livro “Capitolina — o poder das garotas”, que é um compilado de textos da revista eletrônica Capitolina, escrito somente por meninas, e que aborda diversas questões sociais. É um livro totalmente voltado para o público adolescente, mas me ajudou muito a entender mais sobre o feminismo.

Comecei a prestar atenção a questões que eu nunca havia pensado antes de ler o livro. Eu, com a idade que tenho, passei a compreender assuntos e situações que nunca haviam passado pela minha cabeça antes. Comecei a pensar que eu queria eu ter lido a Capitolina nos meus 15 anos, ao invés de ver tutorial de maquiagem na Capricho!

A Capitolina é só um exemplo, mas é incrível acompanhar o destaque do feminismo nas mídias, e a velocidade com que as informações e reflexões sobre o assunto chegam até as mulheres de variadas idades e classes sociais. É o momento certo para DESCONSTRUIR.

É preciso ter força e coragem, eu sei, para admitir as nossas práticas que reproduzem o machismo, e também para mudar a postura diante delas. Mas é como a Isadora disse em seu post: “Feio não é mudar de opinião. Feio é seguir julgando e desrespeitando os outros”.

Se agora é o momento certo para a desconstrução, aproveitemos a oportunidade para nos autoanalisar.

Eu realmente transbordo de alegria e orgulho ver meninas de 15 anos, às vezes até mais novas, reavaliando suas próprias atitudes e as formas de pensar, além de tentar, de alguma forma, conscientizar as outras meninas para que estejamos todas juntas lutando pela nossa voz!

É lindo ver mulheres de todas as idades em processo de autoaceitação. É gratificante ver mulheres finalmente se fazendo ouvir e ajudando umas às outras nessa caminhada! E espero, de todo coração, que eu possa ver muitas “Isadoras” por aí, de todas as idades, abraçando as irmãs e se unindo nessa luta diária que é ser mulher na nossa sociedade. E um recado para os migos:

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Publicado originalmente aqui.

[ilustração de capa: Evelyn Queiroz]

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Gabriela Casanova, 21 anos. Marketeira, inquieta e femininja. Redatora de conteúdos de marketing, heavyuser de redes sociais e feminista.
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