Ser amiga de mulheres é revolucionário

por Helô D’Angelo

Minha mãe sempre me aconselhou a não confiar em mulheres. Ela costumava dizer que mulheres são falsas, dramáticas, fracas e cheias de frescura. Minha mãe sempre teve amigos homens, mas as amigas mulheres só apareciam entre seus relacionamentos – pois ela temia que as amigas roubassem os homens dela.

Em algum momento dos meus 16 anos, uma amiga minha ficou com um cara que eu estava afim. Para mim, foi o fim da amizade: eu excluí a menina da minha vida e falava mal dela sempre que podia. Mas eu não disse nada para o rapaz. Afinal, ele era um homem – e eu fui criada para acreditar que é natural homens traírem. Minha mãe tinha razão, afinal.

Anos depois, eu resolvi voltar a conversar com essa amiga. Eu esperava que fosse ser um papo cheio de recalque, do tipo “vou te perdoar porque sou superior”, mas, para a minha surpresa, acabamos nos desculpando. Ela me explicou que não fazia ideia que eu gostava do rapaz – e eu lembrei que, na época, ele sabia que nós éramos amigas.

E foi aí que eu percebi: todo esse ódio que as mulheres nutrem umas contra as outras é totalmente construído.

Desde pequenas, somos incentivadas a competir umas com as outras pela atenção dos homens. Somos ensinadas a odiar as outras minas, porque elas são falsas, chatas, dramáticas, piores do que nós mesmas. Somos encorajadas a diminuir nosso gênero, nem que seja para parecer “diferente de todas as outras meninas”.

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“Mas vocês precisam parar de chamar umas às outras de vadias e vagabundas. Isso só torna OK os garotos chamarem vocês de vadias e vagabundas”

Essa é uma estratégia muito cruel do patriarcado para evitar que nós, mulheres, nos tornemos aliadas. Para evitar que nós conversemos de forma sincera sobre as nossas opressões e que percebamos que, juntas, somos fortes – mas que, isoladas, somos manipuláveis.

Seja sincera: quantas vezes você olhou para as suas amigas e se sentiu, de alguma forma inferior? Menos bonita, menos magra, menos desejável para os homens? É cruel.

Os filmes, as revistas, as músicas e as séries voltados para meninas adolescentes batem muito nessa tecla. Aos 14 anos, eu adorava as Pussycat Dolls, e achava o máximo quando elas cantavam “você não gostaria que a sua namorada fosse tão gostosa quanto eu?”. Lembro de ter feito um desses testes da Capricho que tinha como título “Saiba se sua melhor amiga quer roubar seu namorado”. Meu filme favorito era “Meninas Malvadas”, e eu achava a Regina George incrível porque ela era muito melhor do que todas as outras meninas do colégio. E eu queria ser como ela.

Na nossa sociedade, é revolucionário ser uma mulher e ter amigas mulheres. E quando eu digo “amigas mulheres”, não quero dizer aquelas que fofocam com você sobre outras mulheres. Quero dizer as manas que, se você ligar dizendo que está mal, vão parar tudo para te ouvir. Aquelas em cujos abraços você se sente confortável, e não fora de lugar. As que você não tem impulsos de falar mal. As que você pode falar de qualquer coisa sem se sentir julgada. As que te incentivam, ao invés de te colocarem para baixo em nome da “sinceridade”.

Precisamos disso. Precisamos dessas amigas-irmãs, precisamos de sororidade. O mundo já é bastante frio e ameaçador sem a gente odiar umas às outras. Então, por que não um pouco de amor entre minas? O máximo que pode acontecer é você ganhar mais uma amiga. ❤

E fiquem com esse quadrinho da Sarah Scribles:

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Pra te inspirar!
Helô D'Angelo
Helô D’Angelo tem 21 anos na cara e nenhuma ideia do que quer fazer da vida quando terminar a faculdade de jornalismo.
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