Por que a sociedade despreza as patricinhas e as diferentonas?

por Joanna Cataldo

Em “Legalmente Loira”, Reese Witherspoon vive Elle, uma mulher que gosta de fazer compras e ir a festas com as amigas. Por causa de seus hábitos e de sua aparência – loira, magra e impecavelmente arrumada -, a universitária é descrita como uma pessoa fútil e superficial.

Já em “Meninas Malvadas” somos apresentados a Janis, uma adolescente que não se preocupa com a forma física e não se interessa por conversas sobre garotos. Fã de roupas folgadas e de maquiagem pesada, a amiga de Cady é uma menina debochada, que não tem medo de ferir o pudor. Por essas e outras, Janis é um alvo constante de bullying.

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A personagem Janis, em “Meninas Malvadas”

Curiosamente, embora possuam personalidades e gostos completamente diferentes, Elle e Janis carregam consigo o fardo de não se encaixarem no que a sociedade chama de “padrão ideal de comportamento feminino”. Enquanto a legalmente loira sofre por ser “patricinha” demais, a colegial sofre por ser patricinha de menos – e esses problemas estão longe de ser novos.

Há séculos, os homens vêm sendo tratados como seres superiores. Características, interesses e habilidades historicamente associadas ao gênero masculino sempre foram consideradas melhores do que aquelas tradicionalmente ligadas ao universo feminino.

Diante disso, o que a sociedade nos ensina é que, quando estamos diante de uma mulher como Elle, devemos rebaixá-la de alguma forma, pois ela, no alto de seu salto alto e de sua obsessão por manicures, está muito distante dos padrões masculinos, ou seja, da parte “gloriosa” da humanidade.

Mas isso não significa que as coisas sejam mais fáceis para mulheres como Janis. Ao se deparar com uma menina com trejeitos “masculinos”, a sociedade rapidamente trata de hostilizá-la. Isso porque, de acordo com a lógica machista, uma mulher, um ser inferior, não pode ousar se comparar aos divinos homens.

Em resumo, para o sistema patriarcal, todas as representantes do gênero feminino devem viver em um constante meio-termo (que, na verdade não existe), tomando os devidos cuidados para não tombarem nem para um lado, nem para o outro.

E é justamente nessa neurose de tentar se encaixar em um padrão inalcançável que surgem problemas como baixa autoestima, insegurança, competição feminina.

Se existe um caminho para romper com esse sistema opressor, ele começa por se aceitar e aceitar as outras do jeito que são. Não há nada de errado em gostar de cuidar da aparência, da mesma forma que não há nada de errado em não saber qual é a última moda de Paris. A única coisa equivocada aqui é a ideia de que as mulheres fazem parte de uma categoria inferior.

Os jurados que deram um prêmio de arte à Janis e os professores de Elle na Universidade de Harvard dariam risada se ouvissem isso.

Joanna
Joanna Cataldo tem 20 anos e é estudante de jornalismo.

 

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