Eu escolhi me dar uma chance: uma reflexão sobre o amor próprio

por Paula Salas | ilustração: Helô D’Angelo

Ao pensar no feminismo, eu sempre lembrava daquelas mulheres fortes, cheias de si, inabaláveis. Imaginava quase uma mulher de ferro da luta pelas mulheres. Essa imagem ficava martelando na minha cabeça quando alguém me perguntava se eu era feminista, porque eu não me encaixava na minha idealização da “mulher feminista”. Eu não via em mim a força suficiente para ser uma feminista.

Mas, aos poucos, eu fui percebendo que feminismo não é um padrão de comportamento: é sobre aceitação e sobre liberdade.

Sempre fui uma menina muito sensível e fácil de atingir. Passei maior parte da minha vida sentindo que eu não era nada, e que, por isso, não merecia grandes coisas. Eu tinha certeza que nunca ia achar o amor, pois, afinal, quem iria me amar? Por isso, eu sempre tentei “compensar” a falta de beleza que eu sentia em mim sendo atenciosa, fofa, a “amiga legal”. Assim, eu pensava, quem sabe alguém me enxerga?

Com muita desconstrução e com a ajuda de meninas maravilhosas, percebi que eu não preciso “ganhar”ou provar o meu valor: ele já é meu por direito. Não preciso seguir aquele padrão de beleza (inalcançável) que nos vendem desde pequenas para poder me achar bonita, assim como não tem problema eu me achar bonita.

Não preciso da aprovação de ninguém, porque ninguém, além de mim, pode dizer algo sobre o que eu sou ou deixo de ser. Beleza não é o que nos mostram nas capas das revistas, na TV, nos filmes. Beleza é algo muito maior do que aquilo que está estampado nas bancas. Beleza é estar viva, só isso.

É claro que perceber isso é um processo complexo, pois são barreiras a serem quebradas, anos de mentiras acumuladas com o objetivo de nos diminuir, de incentivar competitividade feminina e de fazer girar a indústria opressora da moda. Se descobrir isso já é complicado, manter em mente toda essa opressão é bem difícil. Há dias em que eu esqueço tudo o que já sei e me sinto, de novo, um lixo sem valor. Mas eu sempre tenho as minhas manas de luta para me ajudar a cuidar do meu maior tesouro: eu mesma. E elas ajudam, sempre.

Demorei quase 19 anos para perceber tudo isso, para perceber que não fazia sentido eu ver a beleza em todo mundo e incentivar a aceitação própria para os outros, enquanto eu mesma me criticava de uma forma tão dura. Eu me odiava e tinha nojo de cada centímetro do meu corpo. É uma das piores sensações que se pode experimenta, é um sufoco por estar preso em uma carcaça que você não quer, que você não ama.

Até que chegou um dia que vi que aquilo era tortura comigo mesma, que eu merecia muito mais, eu merecia amor.

Nesse dia, eu me dei uma chance. Eu me amei. Claro, eu ainda tenho um relacionamento cheio de reviravoltas comigo, mas foi a melhor coisa que fiz. Agora, eu não aceito nenhum “amor” que me diminua, porque, independente de qualquer coisa, eu sempre me terei como minha maior admiradora. Não é fácil, mas garanto que faz toda a diferença. ❤

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“Se você não consegue se amar, como diabos vai amar outra pessoa?” – RuPaul
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Paula Salas, 19 anos, está no 1° ano de jornalismo na Cásper Líbero. Uma sagitariana louca para descobrir a vida.
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