Poema: Cinzas

Tem dias que a gente é cinza
Tem dias que a gente fica cinza
E tem vidas em que a gente é cinza

Os três são eu.
Tem dias que o trem passa
E eu invisível
Minhas pernas, visíveis
Afinal, quem mandou
Mostrar pro mundo
Que eu sou cinza?

Os três são senão eu.
Tem dias, todos os dias
Que eu tô morrendo
Por um cabide
cinza.

Afinal, quem mandou
A cinza queimar aquilo que
não é cinza?

Os três são, no entanto, eu.
Tem dias que, todos os dias
Que meu cinza vira roxo.
Afinal, quem mandou
A cinza contrariar aquilo
Que não devia?

Os três são, portanto, eu
Tem dias, tem lugares,
tem horas que
Não é pra existir
Não é pra fazer.
Não é pra viver
Por medo de se deixar morrer.
Afinal, quem mandou
A cinza achar que pode respirar?

loli
​Loli, 15 anos. Distraída e amante de palavras. Pretende virar escritora e música, mas por enquanto só fica 5 horas todos os dias sentada na sala de aula.
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