Posso estar pelada, mas meu ‘não’ continua sendo um ‘não’

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Créditos: Berlin Artparasites

Aí você descobre que ama seu melhor amigo ao ver uma foto dele com outra mina. Facada no peito. Umas noites sem conseguir dormir e um mau humor terrível. Mas a gente supera. E mantém a amizade, o carinho e a cumplicidade. E segue adiante.

E então você tenta conhecer pessoas novas da forma mais confortável e neocapitalista possível: Tinder. Depois de trinta recusas, aparece alguém interessante. Dá o like e aparece a frase do século ~deu match~. Papo vai, papo vem, a pessoa se mostra interessada. Uma saída no café, um beijo. Tudo corre bem.

Segunda saída, segundo café. Você diz que vai ao banheiro. Volta rápido demais e explica que o banheiro estava ocupado. O cara diz “tem banheiro lá em casa se quiser”. Você ri e diz:
– Ainda não, obrigada.
– Você que sabe. Se quiser ir só pra conhecer.
– Ah, pode ser. É perto da minha casa mesmo. Mas eu já digo que não quero fazer nada.
– Beleza, você que manda.

Casa normal, bagunça típica de quem mora sozinho. Conversa vai, conversa vem.

– Então, acho que vou indo.
– Ah, não, só mais um pouco… tire esse casaco, eu nem consigo te abraçar.
Tira o casaco. Tira a camisa. Começa a tirar o sutiã.
– Eu disse que não iria fazer nada, cara.
– Tá de boa, só quero ver. Juro.

Despida, fico imóvel. Não tenho vergonha do meu corpo, olhares não me rebaixam nem me enaltecem. Só não quero compartilhá-lo com alguém que ainda não conheço muito.

Já fui de me entregar de primeira, e não me arrependo, muito menos condeno, mas alguma coisa aconteceu em mim, aqui dentro, e eu só consigo me abrir pra quem eu tenho confiança, convivência, química forte.

– Vamo lá, vai ser legal.
– Não, eu não quero.
– Mas você deixou eu tirar sua roupa.
– Mas você disse que só queria ver.
– E você acreditou?

Covarde. Nojento.

– Claro que acreditei. Eu disse que sou sincera e objetiva.
– Ah, não acredito. Você veio até aqui achando que não aconteceria nada?
– Cara, eu disse que não aconteceria nada!

– Então eu vou ter que ficar na punheta hoje?

O que faço? Minha vontade é cuspir na cara, dar um soco, e sair correndo.
Só dou um sorriso amarelo, contenho todo o meu ódio e digo:

– Quero ir pra casa.

Na volta, as coisas parecem se normalizar. Exceto por um comentário final de quem se sente superior:

– Você tem que parar de pedir desculpas por tudo o que faz, e que não faz. Você só faz o que quiser. E você pensa muito. Pensa no que as pessoas esperam de você. Se preocupa.

Pois é, amigo. Talvez, se você também pensasse no que os outros esperam de você, você seria mais humano, mais empático e menos machista, menos nojento.

Subentender que as gurias querem algo é doentio. É egoísta, e narcisista. Achar que seu pênis é o centro do universo é lamentável. E achar que se uma guria deixou você tirar a roupa dela significa que ela deixou você fazer coisas com ela, é covarde e precipitado.

Caras, entendam – algumas mulheres fazem doce. Mas, na dúvida, aceite o “não” como resposta.

* A autora pediu anonimato. 

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