Poser é o c*ralho: se você curte uma banda, só curta

por Letícia Souto

Minha vida mudou radicalmente quando comecei a gostar de música. Passei a frequentar os shows de rock da cidade e ficava o dia inteiro pesquisando sobre música e bandas.

Eu sabia bastante, mas ainda assim parecia não ser o suficiente: toda vez que eu ia a algum show e conversava com alguém, meu conhecimento era testado. Tipo assim:

– Você curte as bandas dos anos 70?
– Sim, claro! Adoro Led Zeppelin, minha música preferida é Black Dog.
– A minha preferida é uma música deles que foi lançada somente num B-Side de uma prensagem que fizeram especialmente no Japão. Acho que você não conhece…

Diálogos assim foram – e ainda são – muito recorrentes. E quanto mais eles ocorriam, mais eu ia atrás de mais informações sobre música, até mesmo das bandas que eu não gostava. Eu sentia que precisava saber sobre tudo, do contrário as pessoas iriam duvidar do meu gosto por música.

Às vezes soa como mania de perseguição, mas na real é perseguição mesmo: os caras não te respeitam se você não provar que sabe tudo sobre alguma banda.

E comecei a notar que ninguém perguntava pro meu melhor amigo se ele sabia o nome da banda que o Dave Grohl teve antes do Nirvana. Ou seja: o problema era mesmo eu ser mina.

Às vezes soa como mania de perseguição, mas na real é perseguição mesmo: os caras não te respeitam se você não provar que sabe tudo sobre alguma banda. Ainda mais quando você tem 12 anos e tá começando a conhecer esse universo.

Eu cresci e me tornei amarga como eles: passei a duvidar do gosto musical das moças porque elas iam aos shows de salto alto ou com uma camiseta de caveirinha. Sério, eu cheguei a esse ponto. Quando você vive uma realidade tóxica, acaba se intoxicando também. E isso me fez muito mal. Amarga mesmo, intolerante.

Não existe nada melhor do que mostrar uma banda que é a cara da sua amiga e vê-la curtindo o som. Experimentem isso.

Mas felizmente eu cresci mais um pouco – e, principalmente, amadureci. Entendi que não precisa testar mulher nenhuma quando ela diz que gosta de alguma coisa; se ela diz que gosta, é porque gosta mesmo, quem é você pra duvidar?

Conversar sobre música é uma delícia, uma troca de conhecimentos. Não existe nada melhor do que mostrar uma banda que é a cara da sua amiga e vê-la curtindo o som. Experimentem isso. Não precisa ser uma banda desconhecida: às vezes seus amigos do Pop não conhecem nada sobre os Beatles. E você não conhece nenhuma música da Lady Gaga. Vai por mim, fazer isso é bem mais gratificante do que se achar melhor que alguém por ser o sabichão do rock. No fim das contas, a gente sabe é de nada.

leticia
Letícia Souto tem 19 anos de ócio criativo. Graduada em preguiça e pós-graduada em procrastinação pela Universidade da Vida. Gata em um mundo cão
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