Seja você mesma (por você)

por Raquel Abe

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foto: Basistka

Quantas vezes você já ouviu  das suas amigas, do post em algum blog que você lê, ou algum vídeo no youtube, enquanto se prepara para um primeiro encontro, que ‘vai dar tudo certo, você é ótima! Seja você mesma’? E quantas destas vezes você de fato sabia o que queria dizer ser você mesma ou até mesmo quem é você para conseguir ser você mesma?

É comum que, no nervoso de passar uma boa impressão, para conseguir engatar alguma coisinha mais séria com o gato (ou a gata), a gente acabe mudando algumas pequenas coisas que não gosta – ou acha que não vai ser bem aceita pelo outro – no começo de um relacionamento. Especialmente quando não temos muito bem definido quem somos nós de verdade, a vontade de agradar o outro se torna mais forte e mais importante na nossas escalas de prioridade.

Até certo ponto do início do relacionamento, no meu ponto de vista, não tem problema algum em mascararmos algumas características – com o intuito de NOS preservar da incompreensão do outro, somente – não de preservar o outro dos nossos ‘defeitos’.

Veja bem, como mulheres, fomos criadas para nos dedicar ao outro, para anularmos nossas características – especialmente se temos as que nos fazem ‘difíceis’, ‘teimosas’, ou ‘loucas’: a determinação, a falta de uma flexibilidade incondicional e especialmenteindependência. E assim, crescemos achando que não merecemos ser amadas por sermos exatamente quem nós somos e por sermos fieis à nós mesmas e aos nossos objetivos e vontades.

E é por isso que é tão importante que a gente tenha certa carga de autoconhecimento antes de embarcar numa jornada a dois: não ser você mesma – e não saber para onde quer ir – pode levar você a um destino que, não só não foi planejado, mas que não é nada bom para a você-do-futuro, embora pareça atraente para a você-do-presente-que está cheia de dúvidas sobre a própria existência.

Sua melhor companhia na viagem que é a vida deve ser você mesma – afinal, você é a única que sabe exatamente o que se passa na sua cabeça. E, sabendo para onde quer ir, um convite ao outro para te acompanhar ao seu lado – com a possibilidade de destinos e paradas não planejadas, é claro – é muito melhor do que se adicionar a um plano alheio, como se fosse uma bagagem extra que esta pessoa terá que carregar e se responsabilizar ao longo do próprio caminho. A jornada do outro sempre será ruim para você, uma vez que foi planejada e colocada em prática por e para uma pessoa que não é você.

Então antes de se preocupar se o relacionamento vai engatar ou não, talvez seja hora de se dedicar à um relacionamento  muito mais importante e que – sem dúvida alguma – terá que durar sua vida toda: o seu com você mesma. Para que, no próximo primeiro encontro, a frase ‘seja você mesma’ não soe alienígena e de fato traga alguma traqnuilidade para as borboletas que vivem voando no nosso estômago.

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Raquel Abe está num relacionamento complicado consigo mesma há 28 anos, curte hackear receitas e quando da na telha escreve umas besteiras pra tentar se encontrar.
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