Explicando feminismo para a sua avó: o que são vertentes feministas?

A SÉRIE EXPLICANDO FEMINISMO PARA A SUA AVÓ, DE  BEATRIZ CUVOLO, É UM JEITO ALTERNATIVO DE APRESENTAR A MILITÂNCIA PARA AS MULHERES MAIS VELHAS – SEM ASSUSTÁ-LAS OU DEIXÁ-LAS À MARGEM. USAMOS, TAMBÉM, UMA FONTE MAIOR PARA FACILITAR A LEITURA.

por Beatriz Cuvolo

Falar das vertentes pode ser um pouco complicado, muita coisa para lembrar, muita coisa para diferenciar e especificar. Mas minha avó sempre diz que nada na vida é uma via de mão única. Nada na vida tem apenas um lado, tem apenas uma visão ou apenas uma maneira de se conseguir o que quer.
Pense em uma estrada que leva a um único fim, um ponto de chegada. Porém, para chegar nesse lugar existem vários caminhos e em cada um deles é possível ver paisagens diferentes, pessoas diferentes e obstáculos diferentes também. Algumas delas possuem buracos e problemas, outros um caminho mais calmo. As vertentes feministas são mais ou menos isso: caminhos diferentes para um mesmo lugar – a igualdade.
São três as maiores e mais conhecidas vertentes: o feminismo negro, feminismo radical e feminismo liberal. Lembrando que existem outras vertentes, tão importantes quanto e com muitas pautas diferentes, como o anarcofeminismo, feminismo marxista etc. Mas vamos começar pelo começo e explicar o básico.
O feminismo negro é um desses caminhos. Ele existe porque é preciso lutar não só contra o machismo, mas também contra o racismo. Essas duas lutas são, muitas vezes, inseparáveis – afinal, muitas das coisas que as mulheres negras sofrem as brancas sequer sonham em passar: salários ainda menores que os dos homens brancos, ter os filhos assassinados pela polícia, mais mortes no parto e por aí vai. As mulheres negras protagonizam o feminismo negro com o objetivo de promover e trazer visibilidade às suas pautas, além de reivindicar seus direitos.
O feminismo radical busca eliminar o “mal” pela raiz, na forma mais profunda possível. Para essa vertente, o gênero (basicamente, o sexo com o qual o indivíduo se identifica) é também uma classe política, como os partidos, que foi construída socialmente para manter a subordinação das mulheres. E isso se inicia no nascimento do ser humano: as pessoas que nascem com corpo de mulher serão criadas (socializadas) como mulheres – ou seja: vão ser tratadas como o “sexo frágil” -, e homens serão criados como homens – você sabe: valentes, fortes, aqueles que podem tudo.Ou seja, mesmo o homem não se identificando com o seu gênero, ele recebeu benefícios e foi socializado como tal.
Essa vertente possui pautas bem definidas: maternidade, gestação, violência obstétrica, heterossexualidade, feminilidade, família e casamento, os quais podem, muitas vezes, serem reproduzidos de maneira compulsória e usados como armas a favor dos homens.
As feministas radicais lutam, por exemplo, pela abolição da prostituição e da pornografia. Para elas, defender a prostituição é defender o direito dos homens de as comprarem e explorarem. Prostituição conduz ao estupro – e no caso da indústria pornográfica, prostituição é estupro filmado.
A última vertente é o feminismo liberal, movimento que é uma forma individualista da teoria feminista. Elas propõem mudanças nos sistemas jurídicos, mas não mudanças na estrutura. Acreditam num empoderamento individual e não apresenta recortes, sejam eles étnicos, sociais, referentes a orientação sexual etc. É voltado para a liberdade sexual e aceitam homens no movimento sem problemas – coisa que as feministas radicais acreditam que não dá certo. Essa vertente não problematiza o capitalismo, pois nessa visão ele incluiu as mulheres no mercado de trabalho.
Suas pautas (assuntos discutidos) abordam as desigualdades do momento. As primeiras feministas liberais lutaram pelo direito ao voto, enquanto as contemporâneas (de agora) visam garantir a igualdade de oportunidades sociais, políticas econômicas e igualdade de direitos civis.
Ou seja: existem diversos caminhos para chegarmos onde realmente queremos, onde nos é justo. Basta olhar para trás para vermos os longos caminhos que foram construídos. Mulheres tão forte quanto nós construíram essa estrada, dividiram e criaram outras, lado a lado. Precisamos continuar essa obra. Não será fácil, terão muitos obstáculos, mas juntas podemos terminar essa construção.
Todas as vertentes apresentadas, e também as que foram apenas citadas apresentam problemáticas e pautas muito maiores e mais aprofundadas. O grande ponto desse texto é mostrar que existem várias escolhas, que podem se encaixar com seus ideais, com a sua realidade, ou apenas que desperte empatia. O importante é que você escolha.
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Beatriz Cuvolo, 19 anos. Jornalista em formação. Apaixonada por contar histórias de pessoas reais para pessoas reais. Em busca do que é belo e vulgar.
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