Viajando sozinha: Vietnã, Camboja e Laos

texto e fotos por Helô D’Angelo

O sudeste asiático pode parecer um lugar assustador para viajar sozinha. Afinal, é longe de casa, tem uma cultura super diferente da brasileira, a língua é completamente nada a ver com a nossa e a comida é absolutamente outra. Mas não tenha medo: Laos, Vietnã e Camboja são países que, além de lindos, são super receptivos e também bastante seguros para a mulhereda. Estive por lá no comecinho deste ano, e o que eu vi foram países muito diversos, em geral budistas, e cheios de mulheres viajando sozinhas para lá e para cá (I’m talking abou you, Mia!).

Aqui vai um guia básico para você se familiarizar com os países em que estive:


Laos

Sobre o país: o Laos fica espremidinho entre o Vietnã, o Camboja e a Tailândia, e depende basicamente da agricultura e do turismo. Por isso, o país é muito aberto a estrangeiros (e a estrangeiras): por todo o canto, se vê turistas do mundo todo, homens e mulheres, jovens, idosos e até algumas crianças (embora eu não recomende esse roteiro para os pequenos, porque cansa demais). O Laos, que assim como o Vietnã passou por uma revolução comunista, é quase totalmente budista. Por essas duas razões, existe uma mentalidade de equilíbrio, igualdade e respeito muito grande por lá, o que ajuda bastante se você estiver viajando sozinha.

A situação das mulheres: tá, o Laos tem essa questão do equilíbrio muito forte, mas não é por isso que as mulheres estão livre do machismo. Por lá, como quase no mundo todo, percebi que são as mulheres as que mais trabalham (em casa e fora de casa), e mesmo assim elas são as mais caladas e reservadas entre os locais. 

Papelada, fuso horário e vôo: para chegar no Laos, em geral a opção é uma só: um vôo de cerca de 13 horas até Dubai e, depois, uma conexão de umas 8 horas para Bangcok, na Tailândia (onde tem que passar no raio-x para entrar também!). O fuso é quase trocar o dia pela noite, 10 horas a mais do horários de Brasília. O visto é feito na hora, quando você chega no país (veja tudo o que você precisa aqui, em inglês).

Línguas mais comuns: espanhol (muitas pessoas falam o idioma por causa da relação de Cuba com a região), um pouco de inglês

Passeios imperdíveis: no Laos, eu só estive na minúscula cidade de Luang Prabang (infelizmente!). Mas ela é super turística e serve como um ponto de partida para vários passeios bacanas no país. Separei os mais legais ~em ibagens~:

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  • Outros passeios/ dicas: a cidade tem muitos lugares baratos e gostosos para fazer massagem, o que é uma mão na roda depois de subir e descer tantas escadarias antigas. Não deixe de tomar o café local, que é uma delícia e tem em qualquer lugar, e de visitar o mercado diurno – que lembra uma feira livre do Brasil, mas tem milhões de coisas para provar, desde casulos de borboleta até caranguejos do rio.

Costumes que devem ser seguidos: o Laos pode até ser super receptivo, mas a cultura asiática é bem diferente da nossa. Por isso, algumas coisas devem ser respeitadas: evite roupas decotadas ou muito curtas, não por uma questão sexual, mas porque isso dificulta na hora de visitar templos. Como os homens não estão acostumados a ver mulheres descobertas, também é comum que eles fiquem olhando, curiosamente, quando as ocidentais usam biquínis, mas não leve a mal: é realmente um olhar de estranhamento, mais do que de desejo (é desconfortável, mas dá pra encarar). Por lá, as pessoas também não costumam se tocar, especialmente na cabeça, e é comum fazer uma pequena reverência de cabeça ao cumprimentar alguém – às vezes, juntando as mãos na frente do corpo. Ah, e dica: na língua local, “sabaidí” significa “oi” e “tchau”; “coptchai” é “obrigada”.

O que se come: principalmente arroz, coco e seus derivados; frutos do mar (especialmente peixe e camarão), hortelã, capim-limão, banana e um dos cafés mais gostosos que eu já tomei. O Laos é o país em que eu mais comi bem, aliás.

Preço: barato. Um dólar americano equivale a mais ou menos 8 mil kipps, o dinheiro local, o que torna todos os passeios, o transporte (basicamente, tuktuk) e a comida muito baratinhos. Mas cuidado na hora de pagar coisas, porque é muita nota e se perder é fácil!


 

Vietnã

Sobre o país: o Vietnã basicamente se criou em guerras – contra a China, contra o Japão, contra o colonialismo francês, contra os EUA, contra o Camboja – e, no meio disso tudo, passou por uma revolução comunista que mudou demais as coisas por lá (por causa disso, aliás, muita gente foi morar em Cuba e fala espanhol perfeitamente). Ainda assim, é uma nação que tem um grande respeito pelas tradições (em especial pelos ancestrais) e pela religião (em geral, budista). Por causa de toda essa mistura e de todo esse conflito, senti que os vietnamitas são um pouco mais endurecidos do que os laosianos – mas ainda assim são muito abertos, inclusive para as mulheres.

A situação das mulheres: o país tem inclinação socialista, o que, no papel, significa igualdade total de direitos inclusive para homens e mulheres. O aborto é legalizado e disponibilizado pelo Estado, as mulheres têm acesso à terra tanto quanto os homens e o papel das guerrilheiras comunistas durante a guerra contra os EUA é reforçadíssimo nos livros de história e nos filmes educativos. Mesmo assim, ainda são apenas as mulheres que cuidam das tarefas domésticas e dos filhos, e existe a prática do exame pré matrimonial para verificar se a noiva é virgem antes do casório. Ah, e detalhe: se uma família só tem filhas mulheres, considera-se que a família acabou, porque os ancestrais só são transmitidos aos filhos homens. O padrão de beleza lá é ser super mega hiper branca, então é comum ver mulheres com o rosto e o corpo inteirinho tampado mesmo em um calor absurdo (enquanto os homens andam livres, leves e soltos). Tudo cultural, eu sei, mas achei interessante trazer para o guia.

Papelada, fuso horário e vôo: o Vietnã é um pouquinho mais complicado do que o Laos para conseguir o visto. Você tira lá, mas precisa de uma carta de recomendação da embaixada brasileira – qualquer agência de viagem pode te ajudar com isso (saiba mais sobre o visto aqui). Do Laos até o Vietnã dá umas 4 horas de viagem, e o fuso é o mesmo – 10 horas a mais do que aqui -, mas dentro do país se viaja muito de ônibus, e são viagens longas em estradas não tão boas (então, prepare a bunda, um livrinho e umas roupas confortáveis).

Línguas mais comuns: espanhol e um pouco de inglês principalmente nas maiores cidades (Ho Chi Minh/ Saigon e Hanoi). Nas cidades pequeninas, você não vai encontrar muita gente falando línguas estrangeiras, mas os vietnamitas estão acostumadíssimos com turistas e gente de fora, então eles fazem de tudo para se comunicar – e conseguem.

Passeios imperdíveis:

Em Hanoi:

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Em Halong Bay:

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Em Hoi An:

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Em Hue:

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Em Ho Chi Minh (antiga Saigon):

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Costumes que devem ser seguidos: assim como no Laos, roupas curtas e decotadas não são proibidas, mas dificultam muito a vida nos passeios a templos. No Vietnã, é falta de educação olhar as pessoas nos olhos e apontar para elas, e receber ou dar dinheiro (ou presentes) deve ser feito com as duas mãos. Ah, e ao falar com alguém idoso, é educado abaixar a cabeça.

O que se come: arroz de todo o jeito (em papa, em macarrão, em folhinhas, cozido, em bolinhos…), porco, pato, carne, camarão, muita fruta e muito peixe de mar e de rio. Destaque para o pho, uma sopa com caldo forte de frango ou peixe, macarrão de arroz, ervas e legumes (como alface e até bambu). Destaque também para o café local e para as cervejas nacionais, como a Tiger, e o chá verde, que se encontra em qualquer lugar em ótima qualidade.

Preço: barato. 22.600 dongs, moeda local, equivalem a 1 dólar americano – e uma refeição cara é algo em torno de 8 dólares. O meio de transporte mais comum, o tuktuk, custa quase sempre um dólar por pessoa, e os preços das entradas de museus e templos não passam nunca os 5 dólares. Nos mercados, dá para encontrar roupas estampadas, bijuterias e outros cacarecos a um dólar, por exemplo, e lanchinhos pela rua a menos que isso. Tem que se esforçar para gastar.


Camboja

Sobre o país: se o Vietnã é marcado pela guerra, o Camboja é ainda pior. O paisinho tem quase metade da área do estado de São Paulo e, depois de uma revolução comunista apoiada pela China, entrou em guerra com o Vietnã (que tinha apoio da União Soviética) enquanto passava por uma ditadura violentíssima que matou todos os intelectuais do país (que depois acabou virando uma monarquia). Antes disso, porém, o Camboja teve quase todas as suas tradições apagadas por uma dura colonização francesa – então tudo lá é uma mistura entre ocidente e oriente, com o ocidente sempre ganhando. O país é bem pobre, o mais pobre dos três, mas tem algumas das paisagens mais bonitas que eu vi em toda a viagem, além de ser dono dos templos Angkor Wat, que eu vou apresentar já já.

A situação das mulheres: gereralizando total, as mulheres cambojanas me pareceram bastante animadas e abertas. Enquanto os homens mal conversavam com os turistas, eram elas que recebiam clientes, gostavam de pechinchar e se esforçavam para se comunicar mesmo sem saber outras línguas. No entanto, dava para ver que rolava uma opressão bem parecida com a brasileira: só as mulheres fazem as tarefas domésticas, só elas cuidam dos filhos. Confesso que a viagem pelo Camboja foi tão rápida que não pude conversar muito com as mulheres locais, mas sei de uma coisa perturbadora: muitas famílias, sem opção nem apoio do Estado, vendem suas filhas ainda crianças para compradores europeus explorarem sexualmente. 

Papelada, fuso horário e vôo: o visto é bem tranquilo e você pode pegar lá mesmo no Camboja (saiba mais aqui). Mas preste atenção na sinalização e no que as outras pessoas estão fazendo, porque o sistema é um pouco confuso e eles não falam inglês no aeroporto. O fuso é o mesmo, 10 horas a mais do que aqui.

Línguas mais comuns: um pouco de inglês (por causa da Angelia Jolie – sério, eles são loucos por ela lá e vários bares têm drinks com o nome dela)

Passeios imperdíveis: eu só estive na cidade de Siem Reap, mas lá tem uns passeios bem legais.

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Costumes que devem ser seguidos: como sempre, evitar os decotes e as roupas curtas, mas é meio que só isso que eu observei – os cambojanos são realmente abertos a estrangeiros.

O que se come: arroz, galinha, porco, frutas, tudo com um tempero meio ocidental meio oriental. Em Siem Reap, porém, é difícil comer uma comida local, porque praticamente só tem restaurantes ocidentais que vendem hambúrguer.

Preço: barato, com uma facilidade: por lá, você consegue pagar tudo em dólar.

 


Dicas gerais

O que usar: roupas leves e claras, em geral menos decotadas por causa dos templos. Levar chapéu e lenço para proteger especialmente o rosto e o pescoço do sol. USE FILTRO SOLAR e evite ser confundida com um camarão no jantar (como eu). Sapatos confortáveis e fáceis de tirar, e calcinha de algodão para evitar candidíase (nesse calor fica fácil a bichinha aparecer).

Quando ir: final de fevereiro, março, abril, maio e outubro, para evitar as monções.

Coisas úteis para levar: câmera, mochila leve com um espacinho para por a garrafa d’água (que você pode levar de casa também), um guia da região, capa de chuva, lencinhos umedecidos e/ou álcool em gel, papel higiênico, comidinhas tipo castanhas e pistaches, um caderninho (se você, como eu, curte fazer diários de viagem), sapatos para caminhada, pochete daquelas de levar dólar.

Coisas inúteis para NÃO levar: vários livros (você não vai ter tempo nenhum de ler: leve apenas um ou dois), mais de dois pares de sapato (sério: um tênis e uma rasteirinha confortáveis, daquela de fazer trilha, são tudo o que você precisa), mais de um biquíni (vai por mim, você não vai usar), casacos pesados, galochas, muita maquiagem (ela derrete no rosto), blusas de alcinha/ tomara que caia/cropped e shorts mostrando a bunda (você quase nunca pode usar).

Línguas: espanhol, inglês, um pouco de francês e, em alguns lugares, russo (por causa da URSS). Eles entendem bem o português.

Outras dicas:

  • beba muita água! Não só porque lá faz muito calor e você desidrata rápido, mas também porque a comida é muito diferente da nossa. Então, dar uma ajudinha para o intestino é sempre bom.
  • leve papel higiênico sempre no bolso e não espere banheiros maravilhosos: a maior parte não tem privada (aprenda a usar um desses aqui) e nem papel – as pessoas se limpam com ducha ou com uma água parada que fica sempre disponível ao lado da privada (coisa que eu e minha vagina sensível não podemos usar de jeito nenhum).
  • dê dinheiro e receba o troco ou outras coisas (presentes, amostras grátis, a chave do hotel) com as duas mãos. É educado.
  • não toque nas pessoas, nem olhe nos olhos ou aponte. É falta de respeito.
  • não fale muito alto nos templos e nem tire fotografias desrespeitosas.
  • não toque nas oferendas budistas! Eles oferecem desde bolinho Ana Maria até galinhas mortas, mas não toque – é falta de respeito.
  • os monges gostam de conversar em inglês para treinar o idioma, mas tocar neles ou interromper suas atividades religiosas para pedir fotos ou bater papo é pra lá de chato e desrespeitoso.
  • evite tratar as pessoas como objetos exóticos: se quiser tirar fotos, peça (muitos orientais adoram pedir para tirar foto com a gente, aliás).
  • não se come insetos por lá. Se você achar alguém querendo te empurrar baratas fritas, é provável que seja só um belo pega trouxa (e que você tenha uma baita dor de barriga depois).
  • em qualquer aeroporto, você pode comprar um chip de celular local e pré pago com até 10 GB de internet – uma mão na roda se você, como eu, é a louca das redes sociais.
  • nos vôos locais, sua mala só pode pesar até 25 kg. Depois disso, rola multa!
  • em geral, não se aceita dinheiro velho, amassado ou manchado. Se te derem de troco uma nota zoada, peça outra nota, senão você vai passar maus bocados tentando passar essa grana para frente.
  • ainda falando de dinheiro: tem malandro em todo lugar, então evite ficar mexendo em grana na rua. Se tiver que pagar alguma coisa, não deixe ninguém te ajudar a contar o dinheiro, porque é aí que costumam roubar.
  • cuidado com golpes comuns no Vietnã e no Camboja: gente pedindo para você comprar moedas de euro e gente querendo te vender a moeda local “mais barato”. Não é real: procure casas de câmbio.
  • bicicleta e moto são ótimos meios de transporte para conhecer essa região da Ásia! Se tiver experiência, vale a pena – e quase todas as cidades têm serviços de aluguel bem barato.
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Helô D’Angelo, 22 anos na cara e fazendo o que pode para viver do que ama: desenho e escrita. Saiba mais sobre ela em seu portfolio: helodangelo.wixsite.com/portfolio

 

 

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