Eu, feminista, adoro sexo (+18)

Atenção: este texto é NSFW e não recomendado para menores de 18 anos.

Não me leve a mal, mas eu gosto é de foder. Foder mesmo, com F maiúsculo; aquela palavra que só sai bem ou escrita assim, no anonimato, ou então falada na cama. Melhor: pedida, implorada ou até mandada na cama. Foder. Subir na pessoa e cavalgar até que eu tenha gozado pelo menos umas duas vezes, no mínimo. Ser afogada no travesseiro enquanto alguém me come por trás. Fo-der, Mário Alberto. Foder.

Ser bissexual só aumenta minhas possibilidades. Gosto às vezes de um pau na minha cara, às vezes de uma boceta bem molhada aberta na minha frente. Idealmente, prefiro os dois ao mesmo tempo – mais coisas pra me divertir -, e se os dois se foderem enquanto me fodem, bem, melhor pra mim. Mas, independente do que vier, gosto mesmo de dar tudo o que tenho, com vontade, literalmente aberta. Senão, não vale a pena.

Eu gosto é de foder. Não é fazer amor (embora às vezes um sexozinho com amor seja gostoso), não é aquela transa-de-obrigação e agendada na quarta-feira entre o mercado e o futebol que quase todo relacionamento (em geral hetero) se impõe; aquele que faz a mulher, sempre a mulher, ficar olhando para o teto e pensando na lista de compras porque às vezes dá preguiça até de pedir pra parar o sexo.

Não: eu gosto é do sexo não planejado, que pode até demorar pra acontecer, mas que é daquele que te pega desprevenida saindo do banho e te arrasta de novo pro chuveiro, derruba o xampu da prateleira e te molha toda de novo sem nem abrir o registro. Eu gosto do cheiro, do suor, dos pelos, dos fluídos; das palavras que só significam alguma coisa ali, entre lençóis, entre nós dois (ou três, ou quatro, ou cinco…). Eu gosto de quando o sono é interrompido porque você está com muito, muito tesão e precisa dissipar aquilo rebolando os quadris na pessoa que está dormindo ao seu lado até que ela acorde e finalmente te foda. Eu gosto de foder na pia do banheiro, na bancada da cozinha, no chão, na areia da praia, no jardim; onde sexo não teria espaço se você parasse para pensar (ainda bem que você não para).

Eu gosto é de sentir que a pele arrepia, que os mamilos ficam duros, que a respiração entrecorta e que a boceta fica encharcada só de pensar no sexo que vai vir. Eu gosto de morder os lábios involuntariamente enquanto a calcinha vai molhando, pouco a pouco. Eu gosto é da respiração quente sobre o meu pescoço, sobre meus peitos, sobre a minha barriga, entre as minhas coxas e finalmente sobre o meu clitóris – e gosto de quando ele está pulsando, na expectativa de uma língua, de uma mão ou da pele genital. Eu gosto de quando o tesão é tanto que até dói no ventre.

E eu gosto da masturbação, do vibrador cheio de lubrificante, de me esfregar no travesseiro totalmente pelada, de me olhar no espelho enquanto me toco inteira, de me foder com os dedos enquanto me esfrego com a outra mão, de me sentir desejada por mim, porque eu sou gostosa pra caralho, gostosa pra boceta. E porque sexo a um também é foda – e faz gozar que é uma beleza.

É, eu sei. Depravada eu, né? Pervertida, puta, piranha, louca. Ou, se você for mais das antigas, pode me chamar de bruxa, histérica, demoníaca, endiabrada, e me queimar na fogueira. Porque só é legal uma mulher ser sexualizada se for para o prazer masculino, né? Qualquer coisa além disso incomoda; é demais para uma moça; é exagero; quer chamar atenção. Você até pode gostar de sexo, mas não precisa sair falado por aí. Mas precisa aguentar seu corpo sendo explorado em cada comercial, revista, série de TV e clipe musical. Precisa aturar assédio e abuso caladinha. Precisa gostar de sexo apenas com o pênis de ouro do seu marido.

Eu te peço para não levar a mal quando eu digo que gosto de foder, mas a verdade é que eu só pedi por educação; pela minha educação opressora de mulher. A real é que eu não dou a mínima pra você, mas dou o máximo de mim pro meu tesão. O que você ou qualquer outra pessoa pensa em relação a isso realmente não me atinge aqui no topo da posição de cowgirl, enquanto eu cavalgo um pau, uma boceta ou um rosto rumo meus orgasmos muito bem merecidos.

Sou feminista e adoro um bom sexo. Mas eu poderia muito bem dizer o contrário: eu adoro um bom sexo, e é por isso também que eu sou feminista. Afinal, eu mereço ser sexualmente satisfeita tanto quanto qualquer macho.

A autora pediu anonimato. Imagem de capa: Duarte Vitoria.

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