Especial Lollapalooza: Precisamos falar sobre passar pano pra artistas

por Letícia Souto

Esse fim de semana aconteceu em São Paulo o Lollapalooza; aquele festival que a gente fala que é de filhinho de papai e só vem banda ruim mas quando vemos não saímos do Multishow o fim de semana todo.

O ponto alto do evento pra mim, que não acompanhei nada, foi a Titi Müller mandando a letra antes do show de um cara lá. Um tal de DJ Borgore, que não faço a menor ideia de quem seja, mas como 99% das atrações do festival, ninguém conhece. Porém Titi foi bem clara e já nos fez ter uma ideia de quem se trata o sujeito: um cara escroto com letras escrotas, mas que os amigos falam que é super gente boa. Por fim, a Multishow não transmitiu a apresentação:

Engraçado como essa história nos parece tão familiar, exceto pelo final feliz dessa vez. Imaginem só se os canais resolvessem boicotar as apresentações de artistas declaradamente misóginos, pedófilos e estupradores? A gente nem ficaria sabendo quem é esse tal de Woody Allen ou jamais veria um filme com o Sean Penn na Sessão da Tarde, e Piratas do Caribe não seria sucesso de bilheteria.

Imaginem só se a gente boicotasse toda a produção de homens machistas. Sobraria o quê?
Nós mesmas! E aí nós começaríamos a nos interessar mais pela produção de artistas mulheres e nos despiríamos do nosso preconceito de achar que mulher só escreve sobre amor, ou, mulher só serve pra cantar na banda.

Imaginem só: não seria mais necessário ter a Titi falando publica e abertamente sobre as letras nojentas desse DJ. Não seria mais necessário ficar gastando nosso português tentando falar sobre a sexualização da mulher nas histórias em quadrinhos de super heróis.

Imaginem só se a gente boicotasse toda a produção de homens machistas. Sobraria o quê?
Nós mesmas!

Eu acredito fortemente que é impossível separar o artista de sua pessoa, independente dele ter 35 heterônimos, alter egos ou o que seja. Nós, enquanto artistas, somos feitos de influências externas e a arte nada mais é do que o reflexo de nossa personalidade (que temos ou desejamos ter, ou ainda nenhuma dessas).

Eu não consigo ouvir John Lennon cantando sobre paz sem lembrar do cara péssimo que era com as mulheres – inclusive com a Yoko Ono, sim! Eu não consigo assistir a um filme com o Christian Bale sem lembrar que ele bateu na própria mãe. Eu não consigo mais gostar tanto assim do Sean Penn depois de saber que ele tentou atacar a Madonna com um taco de baseball.

E se a gente começar a substituir esses talentos por mulheres que produzem arte de um nível igualmente bom e pouco reconhecimento?

O mundo será nosso e a arte também.

leticia
Letícia Souto tem 19 anos de ócio criativo. Graduada em preguiça e pós-graduada em procrastinação pela Universidade da Vida. Gata em um mundo cão
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