Você não é obrigada a sair, se não quiser

por Nathalia Gorga

Acordou se achando feia e está com a autoestima baixa, porque permanece desempregada ou por causa dos milhares de outdoors que te fazem declarar guerra ao espelho, já que não está dentro dos padrões, quase impossíveis de alcançar; está cansada da semana corrida, na qual não teve nem um minuto para pensar sobre o que está fazendo ou sobre o que planeja; quer ficar de pijama em casa, comendo chocolate e assistindo tv ou dormir o dia inteiro, sem dar explicações para ninguém; quer ficar sozinha, vendo sua série favorita por 24 horas, com o celular desligado. Tudo isso, sem ser chamada de “louca”, “depressiva”, “chata”, “sem comprometimento”, “solitária”, “estranha” e derivados…

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É, garota: toma seu sorvete, use seu pijaminha, assista aquele filme besta em paz.

Infelizmente, cada vez mais as pessoas têm a opinião de que principalmente as mulheres – sejam elas amigas, namoradas, mães, avós ou irmãs – têm que estar presentes em todos os momentos. Isso sem pensar (e muito menos perguntar) se estamos ou não a fim de ir, se podemos comparecer e, o mais importante, se queremos. Digo mulheres porque os homens parecem levar suas vontades de um jeito muito mais simples, e respeitá-las muito melhor do que nós: se eles não estão afim, não estão afim; se um amigo com quem eles combinaram de sair não está afim de sair, eles respeitam. Vida que segue.

Nós temos o direito de dizer não, inclusive para convites que, talvez, fossem legais se estivéssemos na vibe.

Mas para nós, mulheres, a coisa dificulta, porque fomos criadas para agradar. Por isso é, sim, muito difícil dizer para quem gostamos e amamos que não estamos com bom humor para ficarmos rodeadas de pessoas, para jogarmos conversa fora. “Ah, mas com uma cervejinha, isso passa”, alguém vai dizer, em tom de brincadeira e, então, você vai sorrir, sem graça, e responder: “Quem sabe… Mas, hoje, realmente vou preferir ficar de fora dessa”. “Para de fazer doce. Vem logo!”, outro vai insistir. E, sem saber mais o que dizer, você vai arranjar uma desculpa esfarrapada, já esgotada.

Nós temos o direito de dizer não, inclusive para convites que, talvez, fossem legais se estivéssemos na vibe. Além do corpo, a “alma” também é nossa, e só nós sabemos o que se passa com ela. No entanto, com tanta pressão por parte de pessoas importantes em nossas vidas, nós mesmas nos chantageamos psicologicamente: “Se eu não for, ele vai ficar chateado. Tenho que levantar da cama!” (seja sincera: quantas vezes você já falou isso?).

A verdade é que, realmente, seu namorado, seu pai, sua amiga podem ficar tristes, mas se forçar a fazer algo que não quer irá te violentar internamente, só você sabe o que está passando naquele mês ou até mesmo naquele dia, em particular. Não temos a obrigação de estarmos sempre bem, dispostas para happy hours, festas e encontros, mesmo que eles sejam eventos legais com gente querida, e que participar deles seja super importante em outros momentos.

Às vezes, precisamos de tempo. Tempo para estar sozinhas. Nem sempre sabemos quando essa necessidade vai chegar, mas ela chega: pode ser no dia do aniversário de algum familiar ou na comemoração de 1 ano de namoro… Não estar bem consigo mesma e com o mundo é imprevisível, sem data e hora marcadas e, por mais que não gostemos de ficar assim, temos que aceitar, temos que viver isso, olhar para dentro e sentir o que tivermos de sentir – ou então, é inevitável: nos perdemos de nós mesmas para satisfazer os outros.

Às vezes, precisamos de tempo. Tempo para estar sozinhas. Nem sempre sabemos quando essa necessidade vai chegar, mas ela chega: pode ser no dia do aniversário de algum familiar ou na comemoração de 1 ano de namoro…

O primeiro passo é se ouvir; admitir para si mesma que você não quer ir nesse rolê – e que tudo bem! Daí, se dê o tempo que quiser, que precisar, que for te fazer bem, acima de tudo. E, se por acaso, quem você gosta não quiser mais ter a sua companhia, é porque a pessoa não respeitou esse espaço e não tem consideração por você, porque esse sentimento não é demonstrado a partir de presenças confirmadas na balada de 18 anos, mas por estar ao lado um do outro em momentos cruciais da vida, tristes e felizes, compartilhando o que ambos quiserem, sem pressão, sem “você tem que ir”, mas com “gostaria que viesse, mas se não puder, marcamos quando der para nós”.

Somos donas do nosso querer, inclusive para estarmos presentes.

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Nathalia: 22 anos, aquariana que gosta de ter muitos peixes em suas águas, o que significa amores, ideias, inspirações, vontades e sonhos… Três paixões: Claudia, Clarice e Cássia. Dois prazeres: ler e conhecer (pessoas, lugares, comidas). Um vício: escrever.
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