Belchior era pai ausente. Por que ninguém liga?

OBSERVAÇÃO: o texto a seguir NÃO tem como objetivo desrespeitar o luto dos fãs de Belchior, e nem falar mal do artista. Apenas partimos de um fato para discutir uma tendência geral: o perdão aos erros masculinos. 

Belchior foi um grande artista, é verdade. Escreveu grandes sucessos, era inteligentíssimo, falava cinco idiomas, cursou medicina e filosofia e foi uma das maiores vozes da MPB. Figura misteriosa, desapareceu por anos e virou até meme nas redes sociais antes de morrer nesta madrugada (30), não se sabe ao certo de quê.

Mas existe um lado pouco comentado na vida do artista: Belchior era um pai ausente. E bota ausente nisso. Segundo uma grande reportagem da Época, publicada em 2013, o cantor tinha quatro filhos – dois de um primeiro casamento, uma de um caso extraconjugal com uma estudante do Ceará e outra, ainda, fruto de apenas uma noite com uma fã de São Carlos. Já nessa época, o artista era um marido ausente, passando às vezes dois meses direto sem parar em casa.

Época não foi a única a noticiar o caso: o Estadão mencionou o caso em 2016; o Zero Hora, no dia da morte do cantor. Outros veículos importantes, como a Rolling Stone e o Huffington post também confirmaram a dívida das pensões. Até a página do Wikipedia do cantor faz referência aos processos enfrentados por Belchior por causa das pensões não pagas.

Belchior; Cantor
“Socorro” mesmo, fi.

Quando desapareceu, em 2008, Belchior deixou as quatro filhos sem pai. Segundo a reportagem, o artista parou de pagar as pensões alimentícias (algumas delas no valor acumulado de 7 mil reais) e fugiu com uma amante, que mais tarde se tornaria sua esposa. Depois de algum tempo, ele passou a ser procurado pela polícia (já que, no Brasil, não pagar pensão alimentícia dá cadeia), mas nunca foi preso.

Mesmo assim, Belchior não perdeu seu posto de ídolo cult. Ao contrário: com seu sumiço, ganhou status de herói. Seus fãs idolatravam sua atitude de desapego material, admiravam sua capacidade de viver sem dinheiro e começaram a ver seu modo de vida como algo especial, uma espécie de fuga do capitalismo. Belchior, intelectual auto exilado – além de bonitão -, se tornou uma espécie de “mártir” da esquerda contemporânea. Só se lamentava, até a sua morte, o fato dele não lançar mais discos. Enquanto isso, as mulheres deixadas para trás com seus filhos para criar não mereciam (e ainda não merecem) a menor atenção.

Em nossa sociedade, os homens não são cobrados por seus crimes, pelo seu sexismo, pelos abusos que cometem.

A narrativa de Belchior não é incomum. Aliás, é uma história muito normal: o “grande homem” que comete uma série de atos machistas, mas que, devido à sua genialidade, é automaticamente perdoado sob a mentira de que a vida pessoal da pessoa não não tem nada a ver com sua trajetória como artista/ cientista/ político. Mas é lógico que tem a ver. Ninguém troca de cérebro quando vai pintar um quadro, compor uma canção, dirigir um filme ou comandar um país.

Dá para citar vários e vários exemplos: o escultor Auguste Rodin, que tomou crédito por várias obras de Camille Claudel e, depois, não moveu um músculo para tirá-la do manicômio onde foi internada pela própria mãe – mas jamais teve a reputação manchada pelo caso; o diretor Woody Allen, que foi acusado de ter abusado sexualmente da enteada, filha de Mia Farrow, ainda criança, mas continua entre os maiores diretores de cinema de Hollywood; o pintor Diego Rivera, cujo relacionamento abusivo com Frida Kahlo quase matou a artista, mas segue sendo considerado um grande pintor; o ator Johnny Depp, que mesmo depois de agredir a esposa, Amber Heard, não parou de receber papeis importantes em filmes; Donald Trump, que acumula incontáveis denúncias de abuso sexual e, mesmo assim, foi eleito presidente dos Estados Unidos. E a lista continua, infinita.

A conclusão é simples: em nossa sociedade, os homens não são cobrados por seus crimes, pelo seu sexismo, pelos abusos que cometem. Dentro do patriarcado, se você for homem, sua genialidade, sua importância política ou mesmo sua fama serão sempre colocadas acima de suas falhas. Tudo pode ser perdoado, esquecido, relativizado se você for homem.

Com as mulheres, a coisa não é bem assim. Dá para perceber isso observando como a mídia trata a nossa relação com a maternidade: a cantora Maysa, por exemplo, era apresentada pela mídia como louca e “uma péssima mãe” por colocar sua carreira na frente do filho; Nina Simone era crucificada por ter uma relação conturbada com a filha (embora fosse claro que ela estava sendo explorada pelo marido e empresário); Cássia Eller tinha sua imagem pouco feminina explorada como algo exótico depois de dar à luz Chicão; até Beyoncè é taxada de má mãe por postar fotos da filha, Ivy Blue, nas redes sociais; Angelina Jolie tem filhos demais; artistas que não são mães têm filhos de menos.

Com as mulheres, a coisa não é bem assim. Dá para perceber isso observando como a mídia trata a nossa relação com a maternidade: a cantora Maysa, por exemplo, era apresentada pela mídia como louca e “uma péssima mãe” por colocar sua carreira na frente do filho.

Mulheres são socialmente obrigadas a ter filhos e, se não tivermos, somos postas como excêntricas ou “especiais” – ou então, como casos trágicos (vide Frida Kahlo). Somos obrigadas a parir e, automaticamente, a reconquistar o corpo perfeito. Somos acorrentadas à maternidade desde a concepção, já que o aborto é proibido e a contracepção é totalmente nossa responsabilidade, e em momento nenhum temos a liberdade que Belchior tinha, de fugir com o amante e, ainda assim, ser considerado o grande herói da esquerda – porque, se ousarmos fugir, sempre seremos as más mães, as putas, as malvadas, as desalmadas, como as mães que morrem nos contos de fada e desencadeiam todo o mal para os protagonistas. Porque os papeis de parideira e cuidadora são os únicos que podemos desempenhar dentro do patriarcado.

Já Rodin pode simplesmente deixar sua concorrente trancafiada em um manicômio. Trump pode ignorar centenas de acusações de assédio sexual e milhares de mulheres que se manifestam contra ele. Woody Allen pode passar por cima de denúncias de pedofilia e ser indicado ao Oscar. E Belchior pode simplesmente abandonar a chatice que é lidar com quatro filhos e se tornar um grande herói na luta contra o capitalismo. Enquanto isso, nós, mulheres, seguimos sendo mães solo, tendo que implorar migalhas de nossos ex-companheiros, levando na cara acusações de extorsão simplesmente por cobrar a pensão.

Não há heroísmo reservado para as mulheres. E é por isso que ninguém liga se Belchior era pai ausente ou não.

Observações:
Este texto foi editado em 3/05. No original, publicado em 30/04, a autora chamava os filhos de Belchior de crianças, mas não sabia exatamente as idades – por isso, trocamos por “filhos”, embora saibamos pelas reportagens que eles eram menores de idade quando o cantor sumiu. A autora também usava apenas uma fonte, a reportagem da
Época, então colocamos mais algumas para enriquecer o debate, já que muitos leitora acusaram a autora de ter inventado o fato. Outro erro da autora foi ter dito que Auguste Rodin colocou Camille Claudel em um manicômio, mas foi o irmão e a mãe da artista que o fizerem – ainda que Rodin não tenha feito nada para libertá-la. 

Também entendemos que a matéria da Época usada como base tem alguns pontos machistas, em especial quando trata a última companheira de Belchior, Edna, como uma destruidora de lares. Optamos por não citar o nome nem de Edna, nem da ex-esposa de Belchior, nem de suas outras amantes para não expô-las e tirar o foco do texto, que é o perdão concedido a Belchior.

Por causa de ameaças, assédio moral e agressões machistas sofridas pela autora, retiramos seu nome da matéria, para protegê-la.

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320 comentários

  1. Quantos aninhos as criancinhas dele tinha mesmo?
    Ele tinha 70. Será que abandou um filho de 45 ou foi outro de 40 que abandou o pai falido?

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  2. A pessoa e o artista são coisas diferentes. Gostar da arte de alguém independe de saber os detalhes da vida do artista. Acho perigoso condenar ou proteger alguém com base em informações que não foram plenamente entendidas ou confirmadas. Se ele era bom pai ou não não interfere na qualidade dos poemas ou musicas dele. As mulheres não deveriam ser colocadas na posição de vítimas, pois tem participação ativa no processo, cabe a cada uma delas saber o porquê. Ao invés de condenar o cantor, os boatos e informação deveriam ser checados, entendidos e concedido a outra parte o direito de resposta. As mulheres não podem se colocar na posição de vítimas, não vai levar ao caminho do respeito. Se ocorreu de fato, cada um deve saber de sua parte, acho a vitimização e a posição contra os homens não vai levar a lugar algum. Ao invés disso as mulheres devem ser educadas para não aceitar mal tratos, nem serem omissas na relação. Devem ter apoio para sair de relações ou situações indesejadas. Mas será que a história é assim mesmo? Gostaria de mais informações para realmente entender o que se passou, com todos as pessoas envolvidas, e mais produtivo.

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    • Gostei do comentário, muito sensato é tao difícil julgar, mas são duas pessoas o homem e o artista, é preciso separar, todos sabiam da irresponsabilidade, do homem tanto que tinha processos em andamento,mas infelizmente o machismo sempre esteve em alta !

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  3. Espero que daqui a uns 10 anos, você dê uma amadurecida no seu pensamento. Porque esse pensamento adolescente jogaria até a genialidade da relatividade geral no lixo (Einstein era outro que cagou para filho).

    Aliás, ainda bem que frisou que Woody Allen é acusado. Ser acusado não é sinônimo de culpa ou condenação. Existe um princípio no direito chamado presunção da inocência. E um testemunho/alegação não constitui prova suficiente para incriminar alguém.

    Voltando ao Belchior. Infelizmente, era um péssimo pai. Espero que as memórias não deixem esse episódio se esvair, mas ele não deixa de ser criativo e pai de grandes obras. Jogar uma tinta em cima da história por conveniência ideológica é um sintoma de que estamos muito mal das pernas. Aliás, é o prognóstico da derrota intelectual.

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  4. ´´E isso aí. Se até uma fase da vida fez músicas geniais, depois que largou a mulher e ficou com uma militante do PT resolveu ser contra o capitalismo, não pagou pensão (para os filhos menores de idade e não os de 40 como uns estão argumentando), ficava em hostels de pequenos comerciantes no Uruguai e no Rio Grande do SUl e desaparecia sem pagar, deixou 2 empresários falidos porque tiveram que cancelar shows assumidos que ele recebeu e não foi. É iguam o Chico, o Caetano e outros. Tinham talento, fizeram parte da MPB mas nos últimos 20 anos abraçaram o marxismo e viraram a mesma mediocridade da ideologia. Sejam justos,

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    • E, pelo visto, de mediocridade tu falas com conhecimento de cátedra. É uma questão de vivência, não é?

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  5. Resumo do texto pro pessoal que não consegue entender: homens e mulheres são julgados de modo diferentes. Os erros dos primeiros, muitas vezes, ficam em segundo plano. Quando quem erra são as mulheres, essas falhas são evidenciadas e chegam a ser mais lembradas que seus méritos.
    Realmente, a educação nesse país vai de mal a pior. As pessoas não conseguem interpretar mais nada.

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  6. Esperar o que de um esquerdista? Toda esquerda tem seu lado covarde e egoísta. Matem-se.

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  7. O pensamento da autora do texto denota repúdio inconsciente aos homens. Parece fala de adepta ao feminismo doentio, o que não é aceitável.

    Vc esqueceu de mencionar que há, sim, milhares de mulheres que exploram os seus ex-maridos após a separação!

    E mais, lamento dizer, mas são os homens os responsáveis por toda criação existente. As mulheres querem apenas tirar proveito disso alegando “direitos iguais”.

    As mulhere “querem” ter direitos iguais, mas não produzem, não criam, não transformam…

    No ambiente de trabalho, onde a maioria é composta por mulheres, a coisa não anda, o trabalho não rende e a fofoca é o que há de mais produtivo…

    Portanto, evoluem, mulheres, sejam criativas, tranformadoras e parem de choramingar…

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    • o que as mulheres criaram: teléscopio (Sarah Mather), Chaminé nos trens e ferrovia elevada (Mary Walton, 1879), saída de incêndio (Anna Connelly), kevlar, fibra usada em coletes à prova de bala (Stephanie Kwolek)… Sem contar com Marie Currie, que contribuiu com a radioatividade e Ada Lovelace, que escreveu o primeiro algorítimo para computadores.

      Historicamente é difícil saber o que as mulheres criaram porque até meados de 1800 as mulheres, por lei, não podiam patentear nada (pelo menos nos EUA era assim).

      Hoje em dia também se debate a contribuição da primeira esposa de Einstein na teoria da relatividade e o fato de que a irmão de Mozart era uma compositora tão boa quanto ele, mas as pessoas nunca poderiam pagá-la como artista porque ela era uma mulher.

      Esses são só alguns poucos exemplos. Você pode encontrar outros aqui:https://www.factmonster.com/science/inventions/inventions-women

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  8. O texto, em geral, é bom. Ajuda a refletir sobre as falhas do cantor que são esquecidas, enquanto que sendo mulher, certamente seriam evidênciada. Também, não podemos aceitar esse papel de vítima. . Esse papel tem tirado a credibilidade do nosso discurso.

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  9. Gente, se não quererem prender-se aos filhos, não os tenham. Nada mais justo que a contracepção ser de cada uma de nós, afinal de contas cada um tem seu próprio planejamento familiar. Façam silêncio e estudem se não querem “implorar migalhas” de seus companheiros, o que na minha opinião é um termo ridículo. Vão pra rua e conquistem seus direitos de uma forma decente e não com essa vergonha que são as manifestações (quase que um vandalismo) feministas. Em outras palavras, CRIEM VERGONHA NA CARA!
    Deixo claro que não sou a favor das
    atitudes desses homens em relação às mulheres/amante/etc.

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  10. Eu nao julgo ninguém,eu gostava dele como compositor e cantor,a pessoa e a vida particular dele nao me interessa,é muito fácil chegar aqui e crucificar mas cada um sabe de suas lutas

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  11. …UMA COISA É UMA COISA .. OUTRA COISA É OUTRA COISA … NESSE MOMENTO PERDEMOS O ARTISTA QUE FOI A VOZ DE UMA GERAÇÃO,.A MINHA GERAÇÃO E Não UM CIDADÃO QUE VAI SER JULGADO POR QUE FOI PÉSSIMO PAI OU MARIDO …,

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  12. Ela é mais ser humano que você, que precisa esconder a cara como anônimo.
    Qual filho tem obrigação de cuidar de um pai que o abandonou?
    Que lógica é essa:Ele foi abandonado pelos filhos primeiro?

    Sim, ele era um senhor de 70 anos que sequer assumiu os filhos (emocionalmente também conta)

    Toma cuidado pra não fazer igual a ele, dá cadeia no Brasil.

    A propósito: deve ser horrível ter um filho com um cara tão ofensor quanto você.

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  13. A guria apaga um comentário apenas por discordarem dela….nossa quanta maturidade pra defender suas ideias e seus ideais

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  14. Eu acho que essa discussão toda é uma grande perda de tempo, o cara era bom compositor e depois sumiu, nunca mais ninguém ouviu falar dele. Se era bom ou mau pai, marido, amante isso não interessa a ninguém a não ser a própria família! E como já disseram alhures, cada um carrega a sua própria Cruz!

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  15. O Brasil 🇧🇷 tá “bonito na foto”,tudo na mais perfeita ordem…Nenhum assunto relevante que mereça nossa atenção…
    Sobra tempo para analisar comportamentos alheios e “atirar a primeira pedra”
    Cultura é isso…

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  16. Olá (nome da autora), tudo bem com você? O artista é uma coisa, a vida privada dele pouco deve nos interessar como a de qualquer pessoa. Pra defender um mundo melhor, por igualdade de pessoas, ou sem negligenciar as crianças, este não é o caminho. Entendo sua ansiedade exercitando sua escrita. Os livros que imagino você devora, irá te dar base, e principalmente se entender os conflitos dentro de casa, que todo mundo tem. Eu e você erramos e aprendemos, como ele deve ter errado e tentando nos seus 70 anos. Beijos, e ouça o artista maravilhoso Belchior 🙂

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  17. “as mulheres devem ser educadas para não aceitar mal tratos, nem serem omissas na relação.” E os homens da mesma forma, educados para não maltratar e não serem os opressores da relação. Isso é feminismo. Igualdade de gêneros, não um sobrepondo ao outro.

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  18. Olha, que horror o tipo de comentário que tá rolando por aqui, mas estou passando para te parabenizar, (nome da autora), o texto está excelente, cresci numa situação com um pai ‘genial’, que conseguia manter a postura frente a sociedade pois minha mãe segurava as coisas em casa.
    Quase sempre quem aparece devido a um grande trabalho ou genialidade, ou sacrificou muitas coisas, ou sentou o bumbum em cima do sacrifício alheio, que infelizmente é o que quase sempre acontece.
    Belo texto, e ótima reflexão! 🙂
    Até porque, uma luta anticapital deve ser mesmo feita dessa forma abandonando os outros?
    🙂

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  19. Só se faz omelete quebrando os ovos, Rousseau um dos maiores nomes da pedagogia, foi pai ausente, Chaplin foi pai ausente, eu criei um filho só e fui pai ausente, mesmo voltando pra casa todos os dias, muitos outros que não tem onde caírem mortos são pais ausentes, nem por isso são linchados, massacrados e extorquidos de forma violenta, assim como o capital fosse a coisa mais importante, depois a ausência paterna, desde os primórdios todas essas donzelas que se relacionaram com esses rapazes sabiam de suas atividades e não se vive só de amor e poesia, tem que se comercializar o produto, para a sub-existência, num país onde mais da metade da população e semi-analfabeta, difícil hein, fácil julgar e incriminar. Agora se um relacionamento não der certo eu tenho que jurar abstinência para o resto de minha vida? Gonzagão foi pai ausente, mas pagava a fatura, esse tá salvo porque morreu trabalhando e atendendo e doando tudo que recebia, mas tem pessoas e pessoas. viver de arte nesse país não é contos de fadas, muito morrem nos palcos, outros no ostracismo e os mais corajoso chutam o balde, VIVA BELCHIOR!

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