As mulheres não estão nem perto da igualdade no mercado de trabalho

por Bia de Picchia

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BBC

Fico chocada quando ouço gente dizendo que “agora que já conquistamos o mercado de trabalho, nós, mulheres podemos repensar nossas posições de luta nesse campo”. Como assim, já conquistamos?! Veja na lista abaixo os “direitos” que de fato “conquistamos” e diga se não precisamos mais lutar por igualdade:

  1. O “direito” de trabalhar muito mais que os homens
    A diferença entre a carga de trabalho de mulheres e homens tem aumentado: em 2005, nós trabalhamos 6,9 horas/ semana a mais que os homens e, em 2015, a diferença saltou para 7,5 horas/semana. Enquanto isso, a média de dedicação dos homens às tarefas domesticas continuou a ser de 10 horas/semana. Somando todas as atividades, os homens trabalham 46, 1 horas/ semana, e as mulheres, 53,6. 
  2. O “direito” de receber menos pelo mesmo trabalho, até em países avançados
    Pesquisa divulgada esse ano pela revista britânica The Economist mostrou que a diferença de salário média entre homens e mulheres ainda é de 15% — o que significa que mulheres recebem 85% do que homens recebem no fim do mês. Mas as médias escondem uma grande variação entre os países. Os países nórdicos lideram disparados quando se trata de igualdade de gênero no trabalho. As quatro primeiras posições deste ano pertencem à Islândia, Suécia, Noruega e Finlândia. Na outra extremidade do índice estão Japão, Turquia e Coreia do Sul.
  3. O “direito” de trabalhar mais no mercado informal e contar com pouca ou nenhuma proteção das leis 
    A ONU destaca que a maioria das mulheres trabalha no setor informal; muitas são mal pagas, não têm segurança social e ainda sustentam o peso do trabalho doméstico. Em relação a leis trabalhistas, apenas 67 nações têm legislações contra a discriminação de gênero no ambiente de trabalho. Já em 18 países, os maridos podem proibir, por lei, suas mulheres de trabalhar.
  4. O “direito” de arcar sozinha com o sustento de sua família e o “direito” de ser mais atingida pelo desemprego
    Segundo o IBGE, em 1991, 18% das famílias brasileiras eram chefiadas por mulheres e atualmente esse percentual é de 25%. Segundo dados da OIT, o desemprego atinge 6,2% da população feminina, ante 5,5% da masculina. Os dados da OIT revelam ainda que as mulheres estão mais suscetíveis a trabalhar menos horas pagas e mais tempo no trabalho não remunerado.
  5. O “direito” de ser discriminada no mercado de trabalho para altos postos do setor privado 
    Mulheres são apenas 10% no Brasil nos comitês executivos de grandes empresas. A desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres nesta categoria é maior que no mercado de trabalho como um todo. Nos cargos de gerência e direção, a mulher ganha 68% do salário masculino. Quanto mais altos o cargo e a escolaridade, maior a desigualdade de gênero.
  6. O “direito” de ser discriminada no setor público brasileiro 
    Entre os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que são indicados pelo presidente da República, há somente duas mulheres. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), dos 33 ministros, seis são mulheres. No Tribunal Superior do Trabalho (TST), há seis mulheres entre os 27 ministros. Na administração pública, 39,7% são mulheres. Os cargos comissionados, os chamados DAS (Direção e Assessoramento Superior) têm uma exclusão sexual clara. No DAS 1, que paga R$ 2.467,90, as mulheres representam 44,9%. Quando se vai para a outra ponta, os DAS 6, com salários de R$ 15.479,92, a participação da mulher cai para 21,7%.

* Texto originalmente publicado aqui.

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BEATRIZ DEL PICCHIA pesquisa questões do feminino, mitologia e contos de fadas aplicados à vida cotidiana. É coautora dos livros O Feminino e o Sagrado – mulheres na jornada do herói (2010) e de Mulheres na jornada do herói – pequeno guia de viagem (2012). É pós-graduada em Psicologia Junguiana, graduada em Arquitetura, formada em práticas meditativas, autora de diversas crônicas e contos publicados na internet e coadministradora do site http://www.femininosagrado.com.br
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