Dicionário feminista

Muitas meninas que querem conhecer o feminismo se deparam com ‘palavrões’ e acabam se assustando e achando que a luta não é para elas. Por isso, criamos este dicionário simples com os jargões mais usados na militância. Ele é colaborativo, então, se você lembrar de alguma palavra que a gente não citou (ou se tiver alguma reclamação), entre em contato e complete!

Como encontrar um termo: use o comando ctrl + f no seu teclado e digite o termo que você quer entender. Caso ele não esteja nesse lista, avise a gente.

dicionario
Ilustra: Helô D’Angelo

A

Auto organização
No feminismo, a auto organização se refere a um grupo ou a uma reunião composta apenas por mulheres. Esses espaços auto organizados são importantes para que as mulheres tenham lugares seguros para dividir umas com as outras coisas que, perto de homens, jamais se sentiriam à vontade para tratar – esses assuntos vão desde menstruação e ciclo hormonal até experiências de estupro e abortos.

Apropriação cultural
Dizemos que acontece ‘apropriação cultural’ quando uma cultura opressora (como os brancos) usa coisas de uma cultura oprimida (como os negros). Por exemplo: pessoas brancas usando turbantes e tranças. Esses elementos culturais são formas de resistência, e não acessórios de moda.

B

Bropriating
Acontece quando um homem ganha crédito por uma ideia que originalmente era de uma mulher.

C

Culpabilização
Ser mulher em uma sociedade machista é sentir culpa por tudo: por não querer transar, por não estar arrumada, por ter sido estuprada, por estar em um relacionamento abusivo. A culpabilização é o processo de ser culpada por todas essas coisas (e por muitas outras). Por exemplo: se uma mulher é estuprada e dizem que ela ‘estava pedindo’, dizemos que a vítima foi culpabilizada.

Cultura da pedofilia
É a valorização do infantil e o menosprezo do ‘velho’. Na nossa sociedade, todas as marcas de maturidade são tidas como defeitos: pelos corporais, acne, estrias, celulite, rugas, manchas, flacidez. As mulheres também são sexualizadas desde muito cedo (é só ver a MC Melody e as ‘novinhas’ do funk). Dentro das nossas práticas sexuais, por exemplo, é muito comum que as minas usem fantasias de colegial, de criancinha, de Lolita – tudo muito infantilizado.

Cultura do estupro
Na nossa cultura machista, o estupro é normalizado. Não se fala sobre estupro, porque todo mundo acha que esse tipo de violência só acontece em becos escuros – quando, na verdade, 80% dos casos acontecem dentro de casa. A sociedade sempre encontra uma forma de culpar a vítima e absolver o estuprador, relativizando o estupro. Vemos essa minimização do estupro em novelas (quando a mulher estuprada acaba ‘gostando’ do cara), nas notícias (quando as pessoas tentam justificar o estupro, dizendo que a moça ‘pediu’), nas músicas pop (como ‘Blured Lines‘), nas baladas (quando um cara te segura até você ficar com ele) e por aí vai.

Consentimento
Consentir é dizer ‘sim’ para algum tipo de envolvimento sexual, do beijo à transa, tendo plena vontade, por livre escolha e compreendendo todas as consequências desse envolvimento. Uma menina bêbada e quase desmaiando, por exemplo, NÃO tem a capacidade de consentir nada.

Construção social
É tudo aquilo que não nasce com você. Todas as coisas, costumes, opiniões, gostos; tudo o que você vai adquirindo e tudo o que vão impondo para você ao longo da vida. Por exemplo: dizer que cor de rosa é ‘cor de menina’ é uma construção social.

D

Desconstrução
É o processo de desconstruir preconceitos, privilégios e opressões. Dizemos ‘desconstruir’ porque todos esses preconceitos, privilégios e opressões parecem ser verdades incontestáveis, mas não são. Eles podem ser desmontados e reconstruídos de uma forma menos violenta. Formas de desconstrução incluem questionar piadas machistas, bater de frente quando dizem que ‘lugar de mulher é na cozinha’ e até não seguir os padrões de beleza impostos.

E

Empatia
É a capacidade de se colocar no lugar do outro e ver o mundo através dos olhos dessa pessoa, compreendendo as condições e o contexto nos quais ela vive, tentando se desfazer de preconceitos e buscando sair do próprio umbigo.

Empoderamento
É o poder que você descobre em si quando começa uma luta, seja ela qual for, contra uma maioria opressora. Por exemplo: sabe aquele calorzinho gostoso que dá no peito quando seu tio diz que ‘mulher deveria ir pra cozinha’, mas você diz que isso é machismo? Então, isso é um começo de empoderamento. Empoderar-se é tomar consciência da sua opressão e perceber que você não precisa baixar a cabeça para ela (nem para ninguém).

Estupro corretivo
É quando lésbicas são estupradas para “virarem mulheres de verdade”, já que, dentro da nossa cultura machista, uma mulher só é considerada mulher se gostar de homem.

F

Falsa simetria
É comparar opressão com dificuldade para deslegitimar uma luta. Por exemplo: quando um homem diz que está sofrendo ‘machismo reverso’, ele esquece ou ignora o quanto as mulheres são oprimidas todos os dias pelo machismo. É uma falsa simetria porque nenhuma violência que um homem sofre é simétrica ao que nós sofremos (veja o ítem ‘opressão estrutural’ para saber mais).

Feminicídio
É o nome que se dá ao assassinato de mulheres por motivos específicos de gênero.

Fetichização
Fetichização é um conceito complexo e amplo. Dentro do feminismo, dizemos que ocorre fetichização quando algo é valorizado como produto consumível, e não pelo que realmente é. Por exemplo: a sociedade aceita que duas mulheres se beijem, não porque elas se amam e têm esse direito, mas porque homens acham sexy ver duas mulheres se beijando. Chamamos esse exemplo específico de ‘fetichização das lésbicas’, mas existem outras formas: fetichização do universo feminino, da maternidade, da cultura negra, da infância etc.

-fobia (sufixo)
O sufixo ‘fobia’ significa aversão. Quando juntamos a ‘fobia’ a outras palavras, criamos o nome de determinado preconceito. Por exemplo: lesbofobia é a aversão e o preconceito a lésbicas; gordofobia é a aversão a pessoas gordas.

G

Gaslighting
É quando uma pessoa (geralmente em uma relação amorosa) te faz acreditar que você é psicologicamente instável. Aos poucos, você mesma vai acreditando nisso, o que pode realmente ferir o sua integridade psíquica.

Gênero
Gênero é uma construção social. É um pacote (de expectativas, roupas, gostos, atitudes, opiniões, atividades, posturas…) que é imposto a você no momento em que você nasce, de acordo com o seu sexo biológico. Se você é uma menina, provavelmente será vestida de rosa, e te ensinarão a ser educada e a dançar ballet. Se você for um menino, te vestirão de azul, você fará futebol e te ensinarão a ser expansivo e dinâmico. A partir daí, você vai vivendo nessa caixinha de homem ou mulher, opressor ou oprimida, pela vida inteira. Este é o básico, mas existem visões diferentes do que é ‘gênero’: uma é a teoria Queer, e a outra, o feminismo radical. Se você quiser entender mais sobre cada uma dessas visões, recomentamos este vídeo.

H

Heterossexualidade compulsória
É a pressão violenta que a sociedade faz para você ser heterossexual. Aos olhos da sociedade, não existe possibilidade de que você, mulher, não goste de homem. É o “natural”, o “certo”, na visão da sociedade machista. É dessa heterossexualidade compulsória que vem a homofobia, por exemplo.

I

Interseccionalidade
‘Intersecção’ é o ponto de contato entre duas coisas. Dentro da nossa militância, falamos de intersecção entre, por exemplo, feminismo e a luta de classes, ou entre feminismo e a luta dos negros, ou entre feminismo e a luta LGBT.

L

Lugar de fala
Dentro de uma determinada luta, existem os personagens principais, que são os protagonistas dessa militância. No feminismo, por exemplo, as principais são as mulheres. E o feminismo é o lugar de fala das mulheres. Quando um homem vem dar uma opinião sobre algum tema feminista, quase sempre acaba silenciando mulheres, e roubando nosso lugar de fala.

M

Male tears
Em tradução livre, significa ‘lágrimas de homem’. Usamos esse termo de uma forma irônica quando um homem começa a reclamar que está sendo ‘oprimido’, ou que está sofrendo ‘machismo reverso’, ou que está sendo ‘silenciado’. Dizemos ‘male tears’ quando um homem diz estar sendo vítima de ‘misandria’ (ódio contra homens), ou então quando se diz ‘feministo’ e fala que ~quer muito participar da luta~, mas acaba roubando o protagonismo e silenciando as minas caso participe. Então dizemos: chora, homem, respeitar as minas não é mais que a sua obrigação. Ninguém merece biscoito por isso! (Se quiser saber mais sobre a não existência da misandria, veja o tópico ‘Opressão estrutural’)

Mansplaining
É quando o homem quer explicar tudo para você, como se você fosse burra e não soubesse de nada direito – e nem tivesse capacidade de entender sozinha.

Manspreading
É quando o homem ocupa muito mais espaço do que deveria. Tipo quando eles sentam de pernas abertas no transporte público e você fica espremidinha num canto.

Manterrupting
É quando você tenta desenvolver uma ideia em uma discussão, mas é constantemente cortada e interrompida por homens.

Maternidade compulsória
Sabe quando dizem que “mulher não é mulher se não for mãe na vida”? Pois é, isso explica bem a ‘maternidade compulsória’ (ou maternidade obrigatória). Para a sociedade, a mulher só serve para duas coisas: 1) satisfazer os homens e 2) ter filhos. Se você não quer ter filhos (ou se quer abortar), você não é mulher aos olhos da sociedade machista.

Militância
A mesma coisa que luta (feminista, antirracismo, anti classismo…).

Misoginia
É o ódio contra as mulheres. É o machismo levado ao extremo, nas ações e do discurso.

O

Objetificação/ hipersexualização
Objetificação é tornar as mulheres objetos, como se elas não tivessem nada ‘de valor’ além de seus corpos. Isso se faz por meio da hipersexualização: desde cedo, aprendemos que nossos corpos são ‘gostosos’ nas cantadas de rua e, a partir daí, somos constantemente tornadas sexy e apetitosas para os homens – temos que estar sempre arrumadas, perfumadas, depiladas, com o cabelo no lugar. Fora isso, a esmagadora maioria das personagens femininas nos filmes, nos quadrinhos e nos livros (nossos modelos) usam roupas curtíssimas e hiper decotadas, salto alto e maquiagem sempre, nos levando a acreditar que ser assim é o ideal.

Ondas feministas
O feminismo não começou do nada; ele veio em ondas, que avançaram e retrocederam de acordo com o contexto histórico. Existem divergências em relação às ondas feministas, mas uma das visões mais aceitas divide o movimento em três picos e dois recuos: a primeira onda que balançou o mundo foi o Sufragismo, mobilização pelo voto feminino iniciada no século XIX e finalizada nos anos 1920. O recuo coincidiu com as duas Guerras Mundiais, e o segundo pico só viria nos anos 1960. É a época da queima de sutiãs, da invenção da pílula anticoncepcional e do otimismo que declinaria nos anos 1980, a “Década Perdida”, que é também o recuo da segunda onda. O terceiro ápice do feminismo teria começado nos anos 1990 e seguiria até os dias de hoje, embora alguns historiadores considerem que, com a internet, o movimento tenha ganhado uma quarta onda.

Orientação sexual
Orientação sexual (e não ‘opção sexual’) é a sua ‘preferência’ sexual relacionada a um sexo, ou seja: é a definição do que você ‘prefere’, homens ou mulheres ou os dois. É muito afetada pela heterossexualidade compulsória.

Opressão estrutural 
Em toda opressão existe preconceito, mas nem em todo preconceito existe opressão. ‘Preconceito’ é qualquer julgamento precipitado, mas a opressão é algo estrutural: reflete o pensamento e as práticas de uma sociedade inteira. Na nossa sociedade, determinados grupos privilegiados (como pessoas brancas e homens) sempre têm poder sobre grupos marginalizados (como pessoas negras e mulheres), mas nunca o contrário. É por isso que quando algum homem diz ser oprimido por mulheres ‘misândricas’, respondemos que, mesmo que alguém tenha algum tipo de preconceito a homens e héteros (o que, na esmagadora maioria das vezes, não é o que acontece), ‘misandria’ e ‘heterofobia’ não existem. Como a sociedade é estruturada de uma maneira que grupos privilegiados SEMPRE têm poder sobre grupos marginalizados (e nunca o contrário), quando um indivíduo de um grupo marginalizado tem preconceito pelo de um grupo privilegiado, esse preconceito não é suficiente para prejudicar o privilegiado.

P

Patriarcado
Sistema social baseado no controle dos homens sobre as mulheres. O patriarcado é mantido pelo machismo, pela misoginia e pelas suas ramificações – a cultura do estupro, a objetificação da mulher, a maternidade e a heterossexualidade compulsórias e a exclusão da mulher das esferas política, econômica e midiática.

Preconceito enraizado
É um preconceito que é tão antigo que acaba virando senso comum. É aquela história de que “sempre foi assim, então é verdade”. Por exemplo: a noção de que toda mulher negra é sensual é uma ideia completamente falsa, criada por donos de escravos que estupravam suas escravas e depois diziam essa besteira para contar vantagem para os amigos. Apesar disso, esta é uma noção que continua até hoje, e que pouco se questiona.

Problematizar
É questionar a realidade em que vivemos e propor discussões a partir dos fatos e dos produtos culturais que chegam até a gente. Por exemplo: você pode ‘problematizar’ a Inês Brasil, propondo uma discussão para debater se ela é explorada ou se é legal que ela, mulher negra, esteja ocupando um espaço tão grande nas redes sociais.

Protagonismo
Dentro de uma determinada luta, existem os ‘personagens principais’. Estes são os protagonistas da luta, aqueles que devem falar à frente dela – no caso do feminismo, somos nós, mulheres, as protagonistas da luta. Quando dizemos que os homens ‘roubam o protagonismo‘, estamos querendo dizer que, ao participar da nossa luta, eles acabam tirando as verdadeiras protagonistas de seus lugares de liderança e falando por elas (e por nós), tirando todo o sentido da luta. O mesmo se diz quando brancos falam pelos negros, por exemplo.

R

Relacionamento abusivo
Relacionamento amoroso, familiar ou de amizade no qual uma das partes abusa da outra, sexual, psicológica, física ou emocionalmente. Temos vários bons textos sobre o assunto aqui, mas você também pode ver o super vídeo explicativo da Jout Jout, “Não tira o batom vermelho”.

Representatividade
É o quanto determinado grupo é representado na cultura, na política, na economia, na mídia e em todas as outras esferas da sociedade. As mulheres, por exemplo, são muito mal representadas na política brasileira: em 2015, na Câmara Federal, só 10% dos deputados eram mulheres.

Reprodução de machismo
Na teoria feminista, acreditamos que uma mulher (que é a oprimida no sistema) não pode ser machista, porque ser machista é a marca e a ‘arma’ do opressor (o homem). No entanto, uma mulher pode usar o discurso machista para conseguir alguma aceitação entre os opressores. Isso pode acontecer, por exemplo, quando uma mulher ri de uma piada machista, quando ela faz slut-shaming, quando ela reproduz frases machistas como ‘lugar de mulher é na cozinha’.

Revenge porn
É a ‘pornografia de vingança’, um crime no qual uma pessoa vaza fotos ou vídeos íntimos de outra pessoa, geralmente por ‘vingança’ após um término de namoro. Nada justifica essa violência, e os danos emocionais podem ser imensos. Saiba mais aqui.

Romantização
É tirar algo (geralmente uma violência) de seu contexto e florear para que pareça mais bonito. Por exemplo: a Bella e o Edward, em “Crepúsculo”, vivem um relacionamento obsessivo e abusivo, mas tudo é romantizado a ponto de você pensar que aquilo é lindo. É muito comum que autores de livros e de roteiros romantizem o estupro, tornando-o suave e até amoroso, como aconteceu na novela “Ligações perigosas”.

S

Silenciamento
É quando você é calada por alguém, geralmente por um homem, dentro da militância. Existem várias formas de silenciamento: você pode se sentir inibida, pode ser literalmente calada, pode não encontrar espaço para falar, mas o resultado é sempre o mesmo, ou seja, você não fala e alguém fala no seu lugar, sobre a sua luta.

Slut-shaming
Slut-shaming significa, literalmente, ‘perseguição de vadia’. É a ação de diminuir uma mulher e fazê-la se sentir culpada pelos seus comportamentos sexuais. Sabe quando você chama a mana de puta, rodada, galinha, vadia? Ou então quando você julga a mina porque ela está com uma saia curta demais? Pois é: isso tudo é slut-shaming e só piora a nossa relação com os nossos corpos, com o nosso prazer e umas com as outras.

Socialização
É o processo de criação de uma mulher ou de um homem na pessoa que você é. Se você nasce com o sexo feminino, será socializada como uma mulher – ou seja, será apresentada à sociedade como mulher e, para isso, será colocada numa ‘caixinha’ chamada ‘mulher’, na qual estão coisas como serenidade, delicadeza, cor de rosa, maternidade, sensualidade, vontade de agradar, beleza etc. ‘Socialização’ é a pressão para você entrar e permanecer dentro da caixa sempre.

Sororidade
É o sentimento de irmandade entre as mulheres, uma das bases do feminismo. Na nossa sociedade, somos constantemente encorajadas a disputar e competir umas com as outras pelo “prêmio homem”, mas tudo isso não passa de uma construção feita para nos controlar. Nos amando, sendo amigas umas das outras, ensinando, ajudando, apoiando, criando iniciativas como este blog, nós, mulheres, somos fortes e podemos lutar muito melhor. ❤

T

Token
Sabe quando alguém fala “eu não sou racista. Tenho até um amigo negro”? Então, esse ‘amigo negro’ é o token. Em inglês, ‘token’ quer dizer algo como amuleto: é como se, tendo esse tal amigo negro, você ficasse automaticamente protegido de ser racista. Mas, na verdade, isso só mostra o quão pouco você entende de racismo – e o quão pouco você liga para isso.

Trigger warning (TW)
É o famoso ‘aviso de gatilho’. Geralmente, o TW é colocado no início de um post que possa desencadear em alguém uma resposta emocional hiper negativa, como um ataque de pânico ou uma crise de ansiedade. É uma forma de empatia, de mostrar que aquele determinado assunto precisa ser discutido, mas que as emoções das pessoas daquele grupo não serão ignoradas. Os assuntos mais comuns que precisam de TW são estupro e outros tipos de violência pesadas, como espancamentos.

V

Vertentes feministas
O feminismo não é um movimento homogêneo que aceita todo mundo sem distinções. Como qualquer luta, ele se divide em vertentes, e cada uma delas luta da forma que acha melhor. Em muitos pontos, elas se encontram; em outros, elas são totalmente opostas. Aqui vão algumas delas e algumas explicações brevíssimas e gerais, para você começar a escolher a sua (mais informações aqui):

  • Feminismo radical (radfem)tem como principal definição a ideia de que o gênero é, por si só, uma forma de opressão. Rejeita padrões de beleza, questiona marcadores de gênero e suas apropriações, é contra a participação de homens no movimento, a prostituição e a pornografia e se coloca não como reformista, mas como revolucionário.
  • Feminismo negro: tem como princípio a ideia de que, se as mulheres são oprimidas, as mulheres negras são duplamente oprimidas; luta principalmente pela visibilidade e pelos direitos das manas negras e pela conscientização do resto da população quanto às opressões impostas a essas mulheres.
  • Feminismo liberal (lib)ao contrário do feminismo radical, as liberais são reformistas, e buscam os direitos iguais entre homens e mulheres por meio de reformulações legais e políticas. São a favor da participação masculina no movimento e pregam a regulamentação da prostituição e a liberdade sexual e corporal do tipo “meu corpo, minhas regras”.
  • Feminismo interseccional (intersec)busca unir o feminismo a uma série de outras lutas, como a pauta LGBT, as questões de classe e as questões de raça. Também são mais receptivas aos homens e, pelo seu caráter de ‘colcha de retalhos’, muitas vezes têm dificuldades de agir politicamente.

W

“We can do it!”
Você já deve ter visto o desenho famoso de uma mulher fazendo muque sobre um fundo amarelo, com um balão azul dizendo ‘we can do it!’ (‘nós podemos fazê-lo’). Essa mulher é chamada de Rosie the Riveter (ou Rosie, a Rebitadeira), e ficou famosa como um símbolo feminista. Rosie nasceu na Segunda Guerra mundial como uma personagem que incentivava as mulheres a arregaçarem as mangas e irem trabalhar para substituir os homens nas fábricas. Foi um momento marcante na história das mulheres, pois representa não só a entrada em massa das minas no mercado de trabalho, como também uma das primeiras vezes que o Estado reconheceu a importância e o valor das manas para a economia.

 

* A definição de ‘gênero’ é um ponto muito polêmico entre as muitas vertentes feministas. Por isso, decidimos explicar apenas o básico da teoria de gênero, só para dar uma base para quem realmente não sabe nada do assunto.  

 

 

 

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20 comentários

  1. Muito legal a pouco iniciativa porém nos termos que falam em tipos de feminismo faltou o emancipacionista. O emancipacionista acredita que a partir do empoderamento da Mulher, o machismo pode ser rompido. Sua base é marxista e acredita na luta de classes. Acha que os homens precisam colaborar na luta, diferente do feminismo sexista.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Acho válido trocar os termos em inglês pelos correspondentes em português, isso torna não só o dicionário, mas o feminismo como um todo mais acessível. Mas a ideia é ótima!

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    • Natália, é exatamente essa a ideia do dicionário: explicar os termos em inglês para as manas que não entendem. Se você quiser ajudar a gente traduzindo os termos em inglês para a gente completar, fique à vontade! Vai ser ótimo. Pode mandar pro nosso email: minasiradas@gmail.com

      Beijos e obrigada pela observação importante!

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